Artigo


Soma zero

Postado: 05 de Dezembro de 2017


Rogaciano Medeiros *


Entre as forças progressistas, o que mais se discute desde sexta-feira é a suspensão da greve geral que estava marcada para hoje, pelo simples fato de o governo ter adiado a votação da reforma da Previdência, por falta de votos para aprovação.

Indiscutivelmente, a nova legislação previdenciária, uma exigência do sistema financeiro, que apoiou o golpe e agora quer meter a mão em um setor de lucros bilionários, merece o repúdio de toda a sociedade. Como, aliás, acontece. O povo tem ojeriza à reforma, pois está convencido de que significa o fim da aposentadoria.

Mas, a resistência popular não pode ser construída única e exclusivamente em uma bandeira, em uma questão pontual, em um alvo. Verdade que necessita de uma referência, e neste momento a reforma da Previdência é o principal elemento catalisador das insatisfações populares.

Acontece que o complexo e complicado processo de construção da mobilização, do envolvimento de massivas parcelas da população em um movimento de contestação não é uma sequência mecânica. Se precisar aciona o interruptor e se desistir basta desligar.

Outro detalhe, o governo por enquanto está apenas reorganizando as forças para colocar a reforma em votação e, diante de um Parlamento tão fisiológico e servil, aprova-la. Desmobilizar é fácil, mas mobilizar envolve fatores que muitas vezes estão além da vontade e da percepção dos organizadores e dos ativistas. O caminhar da história é dialético, portanto cheio de contradições, de armadilhas.

A mobilização precisa ter, como principal desafio, a conscientização da  população para a necessidade de derrotar o projeto neoliberal, por ser a fonte de todos os infortúnios que o povo brasileiro amarga, desde que Temer, Aécio, Bolsonaro, Alckmin, Dória, Moro e CIA deram o golpe na democracia e assumiram o poder central.

Do ponto de vista do fortalecimento da resistência popular, no sentido macro político, de conquista de posições, do enfrentamento à hegemonia neoliberal, a suspensão da greve geral em nada contribui. Sem dúvida, só prejudica. Soma zero.

*Rogaciano Medeiros é jornalista   

 

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