Artigo

A Justiça e o povo  têm caras diferentes

Postado dia: 29/01/2018 - 00:00

Felipe Iruatã*

A Justiça brasileira tem cara. É branca, conservadora, reacionária e pertencente à elite. Impõe a reforma trabalhista que retira direitos e faz de tudo para aprovar a reforma da Previdência, para tirar a aposentadoria de milhões de brasileiros. 

Essa mesma cara apoiou e financiou o golpe. Quer a privatização das empresas públicas, inclusive dos bancos, fundamentais para o combate as desigualdades sociais. Também retrocede o país em 100 anos com a agenda neoliberal, discrimina negros, pobres, periféricos e acusa sem provas um dos maiores presidentes que o Brasil já teve.

A Justiça brasileira também é machista. No ambiente branco e hostil, a cor preta é raridade. Muitas vezes só percebida pela toga dos falsos heróis que nunca enxergaram verdadeiramente a pessoa que serve o café. 

Já a cara do povo é de Lula. O rosto do preto, pobre e nordestino que ascendeu graças às políticas sociais. Do cidadão que passou a fazer três refeições ao dia. Do jovem que chegou à universidade. Do idoso que aprendeu a ler e escrever. Do morador do sertão que agora tem energia elétrica.

Que tirou o país do Mapa da Fome e o colocou entre as melhores economias mundiais. E a cara que deu oportunidade de trabalho para a população, que hoje sofre com o desemprego perto dos 13 milhões.

A democracia não foi respeitada. O povo não foi respeitado e a elite comemora, com o patriotismo da CBF no peito, o país que sempre sonhou: conservador, racista e branco.

 

* Felipe Iruatã é estagiário de jornalismo