Artigo


Escancarado e apequenado

Postado: 31 de Janeiro de 2018


Rogaciano Medeiros *


A posição tomada pela presidenta do Supremo Tribunal Federal, ministra Cármen Lúcia, de não aceitar rediscutir a prisão no caso de condenação em segunda instância, amplia sensivelmente o grau de dificuldade para uma saída, pela via do entendimento, para a grave crise política e institucional que o Brasil atravessa, com graves reflexos na economia.

Cármen Lúcia não poderia ter escolhido palavra pior para justificar o posicionamento. Disse que rediscutir a questão seria "apequenar" o Supremo. Como se a omissão do STF diante de um impeachment sem crime de responsabilidade e da condenação, sem provas, da maior liderança política do país, líder disparado em todas as pesquisas da corrida presidencial, já não fosse o suficiente para, muito mais do que apequenar, escancarar as fragilidades da Justiça brasileira em nível internacional.

A situação do Brasil é muito delicada. A ruptura institucional de 2016 tem ensejado diversos outros rompimentos com a ordem legal, os quais asfixiam a democracia e desrespeitam os mais elementares preceitos das garantias individuais. As próprias elites estão divididas, sem saber o que fazer. Pois é justamente nesses momentos que os segmentos mais à direita, useiros e vezeiros na fraude e na força, tentam tirar vantagem.

Setores ultraconservadores encastelados em influentes e decisivos organismos do sistema de Justiça – Judiciário e Ministério Público principalmente – tomaram o poder sem terem sido eleitos, se colocam acima da lei, rejeitam a diversidade, detestam o contraditório e querem distância do povo.

A resistência popular, quer dizer, o povo nas ruas, é decisivo para obrigar as elites a um entendimento baseado na racionalidade e na razoabilidade. O que, aliás, não tem demonstrado a ministra Cármen Lúcia, que deveria zelar pela Constituição, mas parece ainda não ter enxergado que o golpismo está escancarado e o STF apequenado. Há muito tempo.


* Rogaciano Medeiros é jornalista

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