Artigo

A tendência é o endurecimento

Postado dia: 12/02/2019 - 00:00

Os últimos acontecimentos políticos demonstram claramente que as forças de extrema direita e de direita que se apoderaram do aparelho estatal não estão nem um pouco a fim de restabelecer o Estado democrático de direito a curto ou médio prazo. Muito pelo contrário.

A segunda condenação de Lula, de novo sem prova, a espionagem contra a Igreja Católica e os arranjos para esfriar o escândalo Bolsogate, a fim de tentar estabilizar o governo, assim como as articulações no Parlamento para aprovação da reforma da Previdência, do fim do 13º salário, das férias e do FGTS, além da licença para a polícia matar, não deixam dúvida: o pior ainda está por vir.

Em um país como o Brasil, com elevada concentração da riqueza e gravíssimos problemas sociais, a aprovação da agenda neoliberal, que maximiza os lucros, rebaixa os salários, corta direitos, extingue políticas públicas e reduz as liberdades, enfrentará, inevitavelmente, muita oposição.  Até porque, naturalmente vai ampliar, e muito, as dificuldades do povo. Vai aumentar a pobreza e a miséria. O Estado policial que está sendo montando não será capaz de conter o crescimento da criminalidade e da violência. Por maior que seja a repressão e a matança.

O governo, cada vez mais comandado pela caserna, em conjunto com o mercado, precisa endurecer, desrespeitar regras básicas e criar outras de conveniência, para executar com sucesso o roteiro ultraliberal. Bolsonaro foi eleito para isso, embora não passe de um mero canastrão nesse filme de terror, do ponto de vista político, econômico, social e cultural. Não é em vão que uma das prioridades é a aprovação do projeto anticrime do ex-juiz e hoje ministro da Justiça, Sérgio Moro.

Com poderes excepcionais para supostamente combater o crime organizado, o governo busca criar mecanismos políticos com mínimos e questionáveis revestimentos legais, a fim de fazer frente à oposição dos movimentos sociais e assim justificar violenta repressão policial. Uma tentativa de dar caráter criminal à ação política oposicionista, natural e respeitada em qualquer democracia do mundo.

Evidentemente, o êxito da agenda neoliberal vai depender diretamente da capacidade de ação da resistência democrática, hoje muito tímida e dividida. Por enquanto, o cenário não é nada animador, pois a tendência é o endurecimento do regime. 

*Rogaciano Medeiros é jornalista