Entrevistas


É hora de renovar a política

*Por Ana Beatriz Leal

Para mudar a correlação de forças no país, os trabalhadores precisam ocupar a política e eleger candidatos com compromissos classistas. É o que pensa o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia. Para Augusto Vasconcelos, as eleições parlamentares serão fundamentais para definir qual será a nova maioria política no Brasil.


O Bancário: O que fazer para reverter a correlação de forças hoje no Brasil, tão desfavorável aos trabalhadores e à democracia?


Augusto Vasconcelos: Estamos diante do maior ataque aos direitos dos trabalhadores dos últimos 70 anos. Contudo, esse assunto não tem espaço na grande mídia, que distorce a realidade para impor a agenda das elites econômicas. Uma das tarefas agora é elevar o nível de consciência do povo para resistir. Temos de enfrentar a batalha de ideias combatendo as visões conservadoras e neoliberais, fazer a luta de massas nas ruas e disputar também os rumos do Parlamento. 

 

O Bancário: Por que os movimentos sociais não tiveram força suficiente para impedir o golpe e não têm conseguido barrar as reformas neoliberais?
 

AV: Nossos adversários são muito poderosos. Controlam a mídia, possuem articulação internacional com grandes potências e tem maioria de deputados e senadores. Os movimentos até que tentaram. Foram inúmeras passeatas, ocupações, manifestações e, ainda, duas gigantescas greves gerais este ano. Ainda assim não conseguimos barrar o golpe e a reforma trabalhista foi aprovada. Há um descolamento por completo deste governo e do Parlamento com a vontade do povo, a democracia está ameaçada.

O Bancário: O Brasil vive um Estado de exceção?


AV: Apesar de, formalmente, existir uma Constituição em vigor, praticamente ela foi rasgada com um impeachment fraudulento baseado na troca de favores e interesses mesquinhos de parlamentares. Nossa democracia está ameaçada, abrindo espaço para setores ultraconservadores evocarem até o absurdo de uma ditadura militar. Todos que defendem o Estado Democrático de Direito devem se unir para barrarmos estas aberrações.

O Bancário: As eleições do próximo ano são suficientes para salvar a democracia brasileira?
 

AV: Suficientes, não. Mas as eleições do próximo ano são espaço importante da disputa de rumos do país. Os trabalhadores devem ocupar a política e eleger candidatos ligados à classe. As eleições parlamentares serão fundamentais para definir qual será a nova maioria política do Brasil. Por isso, devemos dar especial atenção nas eleições de deputados e senadores. É hora de renovar a política com ideias avançadas. 

O Bancário: Quais os reflexos do golpe e do governo neoliberal de Temer sobre os bancários?
 

AV: Os bancários, assim como todas as outras categorias, sofrem diretamente com a ampliação da terceirização e a reforma trabalhista, que precariza direitos e visa reduzir salários. Exemplo disso é o fim da incorporação de função para quem possui mais de 10 anos no cargo. A situação seria bem pior, se não tivéssemos a Convenção Coletiva de 2 anos, que assegura parte de nossas conquistas até setembro de 2018. O desmonte dos bancos públicos ameaça a economia e fragiliza as relações de trabalho. Em pouco tempo, perdemos milhares de postos de trabalho e o fantasma do desemprego volta a assombrar com força. Precisamos nos unir ainda mais. Tenho esperança de que venceremos essa etapa da história.

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