Entrevista

Garantir os direitos

Postado dia: 11/01/2018 - 09:33

*Por Renata Andrade

O Bancário – O que os bancários podem esperar da nova gestão?
Hermelino Neto – A sequência do trabalho que a Federação vem realizando ao longo de vários mandatos. Tivemos grandes presidentes à frente da entidade: Euclides Fagundes, Álvaro Gomes, Everaldo Augusto, Eduardo Navarro e Emanoel Souza. Agora, assumo uma diretoria que tem compromisso, maturidade e competência para dirigir o destino da Federação. Acredito que vamos realizar um grande trabalho.

O Bancário – Quais os principais desafios diante de um cenário de ataques aos direitos dos trabalhadores?
HN– Os desafios são enormes. Passamos por um período muito ruim na política brasileira. O Brasil enfrenta, desde 2015, grandes ataques. O golpe em 2016, a política desastrosa do governo Temer, a aprovação da terceirização e da reforma trabalhista, a redução dos recursos em áreas estratégicas para o desenvolvimento, como saúde e educação. Agora está em curso a reforma da Previdência e o desmonte dos bancos públicos, que tem como meta a privatização. O cenário exige de nós respostas. Vamos assumir no momento que a reforma trabalhista atingiu em cheio as finanças das entidades sindicais. A grande receita da Federação vem do imposto sindical. E não terá mais. Teremos que nos reinventar e continuar com todos nossos projetos. 

O Bancário – Sem dúvidas, 2018 será de lutas. Tem a campanha salarial, as eleições...Como o movimento sindical deve atuar?
HN – Estaremos em sintonia com a nossa central sindical, a CTB, em defesa dos trabalhadores. O movimento sindical tem uma atuação importante. Entretanto, é necessário que a gente consiga mobilizar as massas. Temos um papel conscientizador. Precisamos transformar isso em resultado e devemos fazer com que o povo ganhe as ruas. O movimento sindical só não irá dar respostas às demandas. É a consciência política dos trabalhadores que pode alterar a correlação de forças. E 2018 é ano de eleições. Portanto, temos a plena consciência que é preciso eleger um presidente ou presidenta ligado aos trabalhadores, mas também devemos eleger um Parlamento diferente, que defenda os reais interesses da população, para que possamos revogar as medidas aprovadas. 

O Bancário – Quais os temas tratados no Congresso Nacional que a Federação está de olho e quais as estratégias para evitar ainda mais perda aos trabalhadores? 
HN – Nosso foco agora é o desmonte dos bancos públicos. Estamos atentos a isso. Na sexta-feira, o Banco do Brasil apresentou uma nova reestruturação. Medida que nos preocupa porque a meta é acabar com o papel social, demitir, fechar agências e precarizar o atendimento. Tudo isso, abre caminho para as privatizações, real intenção do governo Temer. Outra questão é reforma da Previdência. Começamos a mapear e iremos intensificar o trabalho dos parlamentares favoráveis às mudanças. Vamos fazer uma campanha e denunciar para nossa base. Falaremos diretamente com a sociedade. 

O Bancário De que forma a Federação pode se aproximar mais dos bancários? 
HN – Tenho uma história de dirigente de massas. Não sou apenas um dirigente burocrata. Tenho a burocracia da Federação que eu trato porque já exerci diversos cargos. Sou um dirigente de massa, que participo, que vive a vida da categoria, que tento solucionar, ouvir colegas. Tenho essa ligação muito forte com a categoria bancária, com os problemas de saúde e de condições de trabalho. A Federação vai ter um presidente que vai tratar bem das questões, da burocracia que é necessária, mas também vai ter um representante em sintonia com os trabalhadores.