Entrevista

A democracia é inegociável

Postado dia: 10/10/2018 - 09:37

Depois de encarar o desafio de uma candidatura a deputado estadual que rendeu  21 mil votos e acumular mais experiência política, o funcionário da Caixa Augusto Vasconcelos reassume a presidência do Sindicato dos Bancários da Bahia. Ele agradece o apoio da categoria e afirma que agora é fundamental a unidade de todas as forças progressistas, democráticas, populares e de esquerda para derrotar a ameaça fascista.

O Bancário: Quase 21 mil votos. A categoria bancária está de parabéns...
Augusto Vasconcelos: Uma votação expressiva que nós conseguimos obter, com o apoio maciço dos bancários e de outros trabalhadores. Evidentemente, gostaríamos de obter a consagração da eleição. Mas, há de se considerar as  dificuldades econômicas da campanha e do contexto bastante conservador de parcela da sociedade. Fizemos uma campanha que não teve apoio de grandes empresários, de prefeitos nem de grupos regionais. Sem dúvida foi uma grande vitória obter votação tão expressiva. Uma votação honesta, limpa, feita por pessoas que acreditam e defendem o projeto.  Isso é o mais bonito.

O Bancário: Uma votação que ajuda na resistência bancária, no caso de uma vitória da extrema direita, certo?
Augusto Vasconcelos:
Exatamente. Com essa votação conseguimos ajudar o PCdoB  a eleger cinco deputados estaduais, contribuímos decisivamente para a eleição de deputados federais comprometidos com o trabalhador. Ao mesmo tempo ajudamos na reeleição de Rui Costa e fortalecemos a candidatura de Haddad na Bahia. Nossa campanha para deputado estadual cumpriu esses objetivos e eu estou muito orgulhoso e satisfeito com o trabalho que fizemos coletivamente. A nossa categoria está de parabéns por tê-la abraçado.

O Bancário: A democracia tem condições de superar ameaça neofacista?
Augusto Vasconcelos: Não há saída fora da democracia. O Brasil vive um momento delicado que nos coloca em uma encruzilhada. É democracia ou barbárie. Não está em jogo agora uma opção ideológica, tipo socialismo versus neoliberalismo. Está em jogo o futuro da nação brasileira. Estão em jogo valores democráticos, de respeito às pessoas, de fortalecimento de causas populares e de coisas que estavam até algum tempo atrás consolidadas, como a defesa dos direitos das mulheres, dos negros, da comunidade LGBT. Além disso, tem um ataque aos mais pobres, aos direitos dos trabalhadores. É a tentativa de acabar com o 13º, desvalorização do salário mínimo, dos contratos de trabalho. Há um candidato que propõe que se tenha dois tipos de carteira de trabalho. Uma para o trabalho precarizado e a outra para o trabalho da CLT. É um absurdo. Eu confesso que o momento é muito delicado e não podemos deixar o ódio prevalecer. Eu espero que no segundo turno, a medida que os debates forem acontecendo, e se o líder das pesquisas for, certamente vai ser desmascarado, pois não tem conteúdo. Não tem projeto para o país. Qual é a proposta de Bolsonaro para a educação? Para a segurança do Brasil que tanto fala? Não tem proposta. Não tem ideias. Não tem algo consolidado. Vamos apostar em uma aventura? Acredito que o povo terá sabedoria para reverter isso.

O Bancário: A que se deve o recrudescimento do fascismo? 
Augusto Vasconcelos: Diversos fatores. Entre os quais uma postura parcial da mídia que atribui todos os problemas do país a um determinado partido político, como se o Brasil não estivesse vivendo uma grave crise econômica, reflexo de uma crise internacional. Além da tentativa de escandalização da política. Tem muitos escândalos na política. Tem gente que é corrupta? Com certeza sim e precisa ser combatida. Mas, não se pode generalizar, homogeneizar, pasteurizar e tratar como se todos fossem corruptos e desonestos. Dessa forma, você interdita o debate e na prática as pessoas ficam antipáticas à política. O que estamos vivendo é a antipatia à política. Isso pode nos levar a um estado autoritário. É preocupante, sobretudo para a população mais pobre, que será mais prejudicada. Precisamos mostrar isso para as pessoas que estão sendo enganadas. 

O Bancário: O que fazer para garantir a vitória da resistência democrática no segundo turno?
Augusto Vasconcelos: Precisamos de uma frente ampla. Daquela que o Brasil reuniu ao longo da sua história, em momentos importantes, a exemplo das Diretas Já. Temos de mobilizar todo mundo que defende o Estado democrático de direito. Nesse momento não importa a coloração partidária, visão ideológica. O que importa, sobretudo, é a defesa da democracia brasileira.

O Bancário: Quais os projetos de Augusto Vasconcelos?
Augusto Vasconcelos: Eu retomo a presidência do Sindicato. Tenho muito orgulho de estar à frente da entidade, uma das mais importantes do país. Eu sou militante da luta popular. Não sou um político profissional. Faço militância há 20 anos. Independentemente do resultado, foi a minha primeira candidatura. Foi uma experiência e tanto. Tivemos um belo desempenho, com quase 21 mil votos. Evidentemente, essa experiência ajuda muito. Estarei na luta popular, nos movimentos sociais, onde eu sempre estive, desde 1998, defendendo os trabalhadores e a maioria do povo.