Artigo

A endemia que ceifa milhares de vidas

Postado dia: 23/06/2020 - 00:00

O Brasil enfrenta hoje uma pandemia que é sem dúvida a mais grave dos últimos 100 anos, a Covid-19 que já ceifou 50 mil vidas que poderiam ser evitadas se o governo federal tomasse as medidas corretas seja no campo da saúde ou na economia, mas para além dessa situação, enfrentamos uma endemia que ceifa vidas humanas diariamente e que permanece quase que na invisibilidade. São milhares de assassinatos que ocorrem ao longo de décadas, atingindo a população pobre.

O número de homicídios cresceu de forma assustadora de 1980 até 2003, seja em números absolutos que saltou de 13.911 para 51.534, ou em taxas por 100.000 habitantes, que pulou de 11,69, para 29,14. De 2004 a 2011 houve uma pequena queda em números proporcionais. O Fato é que são ceifadas anualmente cerca de 60 mil vidas. Por trás de cada número existe uma história, uma família e uma morte prematura.

Em plena pandemia, o número de civis mortos por policiais aumentou consideravelmente. Só no mês de abril-20 foram 116 pessoas mortas em São Paulo, havendo um crescimento com relação ao mesmo mês do ano passado de 43,6%, no Rio de Janeiro foram 177 óbitos em abril, 43% a mais do que no mesmo mês no ano passado (FSP-26/05/20)

São jovens, crianças, pobres, negros, favelados, as vítimas de um sistema perverso que não leva em conta a vida humana, prioriza a concentração de renda, a desigualdade social em nome do mercado e de uma economia que só favorece as elites, uma sociedade doente cujas consequências são imprevisíveis. Para curar essa endemia, torna-se necessário uma política que assegure os direitos fundamentais de cada pessoa.

É preciso que a sociedade continue enfrentando a pandemia da Covid-19, seguindo as orientações da ciência e da Organização Mundial da Saúde, e também enxergue as milhares de vidas ceifadas mensalmente e que ficam invisibilizadas porque morrem nas favelas, nos bairros pobres e para segmentos poderosos são objetos descartáveis, cujos  direitos fundamentais não são assegurados.  A justiça social é o único caminho para construir uma sociedade, saudável, mais equilibrada e que preserve a vida.

* Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ