Artigo

A morte como bandeira

Postado dia: 22/07/2020 - 00:00

O fantástico do dia 19/07/20, em reportagem sobre violência relatou o aumento do número de armas de fogo desde 2016 quando foram colocadas em circulação mais 83.822. Nos anos seguintes o aumento vem refletindo a posição do presidente da República que tem a morte como bandeira central, com uma política de exclusão social que mata as pessoas de fome, sua campanha permanente para armar a “população” e seu posicionamento genocida contra o isolamento social, diante da pandemia covid-19, contrariando as orientações da ciência.

Desde quando Bolsonaro assumiu o governo, já lançou 11 portarias e 8 decretos facilitando a compra de armas e munições, muitos foram revogados, mas a atual legislação facilita o aumento da circulação de armas de fogo no país. Em 2017 foram mais 107.826 armas em 2018 aumentou para 138.106, em 2019 mais 191.536 e em 2020 até junho 139.334. É bom ressaltar que essa política contribui para armar criminosos ricos, milicianos e traficantes.

Vivemos historicamente numa sociedade violenta que mata anualmente principalmente com armas de fogo cerca de 60 mil pessoas, a política de Bolsonaro agrava de forma assustadora essa situação, estimulando o extermínio e em nome do direito individual do “cidadão de bem” ter arma, retira o direito coletivo a segurança.  Quando o presidente revoga as portarias do exército que permitia o rastreamento de armas, está permitindo que os traficantes e milicianos possam se armar e praticar assassinatos sem serem identificados.

O Brasil é o país que mais mata com arma de fogo no mundo em números absolutos. No momento vivemos uma tragédia social agravada pela politica nacional que contraria as orientações dos cientistas  para combater a covid-19 e o resultado disso é que já  acumulamos 80 mil mortes, a situação é agravada com uma outra realidade trágica que é a violência que mata milhares de pessoas por ano, quando essas mortes poderiam ser evitadas.

A política de incentivo a violência e o posicionamento genocida do governo federal precisa ser barrado.  Uma minoria não pode levar o país ao caos, as vidas humanas precisam ser preservadas, a banalização da morte é uma grave doença social que precisa ser imediatamente isolada e curada.

*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ