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Imunidade de rebanho ou política genocida?

Postado dia: 29/07/2020 - 00:00

O Brasil continua sendo o segundo país em número de infectados, 2.423.798 e de mortos, 87.131, dados de 27/07/20, coletados na página, https://www.worldometers.info.  Diante desse quadro grave de mortes que poderiam ser evitadas através de uma política de prevenção, 60 entidades sindicais e do movimento social, pedem a condenação do presidente Bolsonaro por genocídio ao Tribunal Penal Internacional de Haia. O presidente tem tido um posicionamento negacionista, e não segue as orientações científicas.
 

O governo federal trata com descaso a epidemia, dificultando a implementação das orientações do Organização Mundial da Saúde e incentivando as pessoas a fazerem o mesmo, defende o funcionamento normal do país como se não existisse a covid-19, que ele próprio afirmou que era uma “gripezinha”
 

O presidente defende na prática a imunidade de rebanho  que foi inicialmente implementada no Reino Unido e suspensa imediatamente em função aumento  do número de mortos. A imunidade coletiva só é possível sem um alto custo social através da vacina. 


Em entrevista no BBC-Brasil, em 20/07/20, o Epidemiologista Pedro Hallal, reitor da Universidade Federal de Pelotas, que realizou uma pesquisa sobre o coronavírus em 89.397 pessoas de 133 cidades, indicando um nível de contaminação de 3,8 % em24/06/20, ressaltou que “a imunidade de rebanho como política de saúde é absurda, mal pensada e antética”, e que isso poderia significar cerca de um milhão de mortos.
 

Esses dados se mostram coerentes com a pesquisa feita pelo Imperial College de Londres, divulgada nos principais meios de comunicação em 27/03/20, onde previa que no Brasil o número de mortes se nada fosse feito, estava estimado em 1,15 milhão e com as medidas de prevenção o número cairia para 44 mil. 
 

O número de perdas humanas que hoje é de 87 mil, só não é muito superior porque parte da sociedade segue as orientações da Organização Mundial da Saúde. A denúncia no Tribunal Penal Internacional de Haia, contra o presidente Bolsonaro por sua política genocida, constatada até por ministro do Supremo Tribunal Federal, tem grande importância para que possamos enfrentar a pandemia com base na ciência evitando perdas humanas.
 

*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ