Artigo

Pulsão de morte, do outro

Postado dia: 17/11/2020 - 00:00

O austríaco Sigmund Freud, no século passado, desenvolveu a teoria das pulsões, que, de forma bem resumida, podemos simplificar como pulsão de morte (Tânatos) e pulsão de vida (Eros). Em condições normais, há um equilíbrio entre as duas. No caso de Bolsonaro, que possui uma pulsão exageradamente forte e desequilibrada pela morte, podemos observar uma questão fundamental. O desejo dele é da morte do outro. 

 

Bolsonaro parece ter prazer com a morte dos outros. Para ele e para sua família, a defesa é da vida. Afinal, são os autodenominados “cidadãos do bem”. Sua trajetória sempre foi marcada pela destruição, defesa da tortura, do racismo, da misoginia, das milícias, das propostas na área da economia que geram desemprego e desigualdades sociais, o descaso com o meio ambiente. 


O símbolo de sua campanha para presidência da república foi fazer arminha com a mão e a defesa da liberação de armas para a população foi e continua sendo a sua principal bandeira. É evidente que essa medida serve para armar ainda mais as milícias e os traficantes que terão melhores condições para adquirirem mais armamentos e, com isso, facilitar a morte das pessoas, inclusive de inocentes. 


A pandemia da covid-19 lhe deu a oportunidade para continuar saciando seu desejo destrutivo. Desde o início que o presidente da república tem dificultado todas as medidas que tenham como objetivo salvar vidas.  É um negacionista. Não aceita as orientações da ciência e o que é pior: sabota todas as medidas de combate ao coronavírus, dificulta as pesquisas para as vacinas e é contra a obrigatoriedade da vacinação.


A recente suspensão das pesquisas da CoronaVac, pela ANVISA, mesmo depois de provado que a morte do voluntário não tinha nenhuma relação com a vacina, foi uma medida inaceitável. Bolsonaro comemorou esse episódio em suas redes sociais “mais uma que o Jair Bolsonaro ganha”. A ANVISA voltou atrás depois de ações junto ao STF-Supremo Tribunal Federal e dessa forma as pesquisas continuam.


Suas declarações recentes mais uma vez de que “todos nós vamos morrer um dia” e de que “temos que deixar de ser um país de maricas”, diante 166 mil mortes pela covid-19 e que poderiam ser evitadas, indica que a pulsão de morte, do outro, que caracteriza Bolsonaro, precisa ser interditada.


*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ