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Guerra contra as drogas?  Melhor será guerra contra a injustiça social

Postado dia: 22/02/2021 - 00:00

O secretário de Segurança Pública da Bahia, Ricardo Mandarino, em entrevista aos meios de comunicação sobre a política de repressão ao tráfico de drogas afirmou que “não dá certo em lugar nenhum do mundo”.


Em entrevista à TV Bahia, no dia 17/02/21, o secretário defendeu a “regulamentação do comércio de drogas leves e propagandas contra o uso de entorpecentes” e fez críticas à política de repressão ao tráfico de drogas. Segundo ele, a polícia está “correndo atrás de traficante que mata traficante” e argumenta que essa política repressiva não funciona. Afirma que “custa caro aos cofres públicos, custa vidas de policiais, custa vidas de traficantes, que são pessoas que caíram no tráfico muitas vezes por alguma necessidade”.


Segundo Mandarino, 70% dos crimes que ocorrem no estado estão relacionados ao tráfico de drogas. Argumenta ainda que em "em 1988, 30% da população brasileira fumava cigarro, e hoje são menos de 10%. O Brasil é o país onde menos se fuma no mundo. Houve proibição do cigarro no Brasil? Não. Houve publicidade”.


Concordo com as declarações do secretário, a denominada “guerra contra as drogas” não tem se mostrado eficiente, são cerca de 50 mil mortes ao ano no Brasil que atinge principalmente a população jovem, negra e pobre. Os presídios estão superlotados com cerca de 800 mil presos, que em 1990 eram aproximadamente 90 mil. 


No levantamento feito pela Defensoria Pública da Bahia, das 22.946 audiências de custódia, realizadas entre 2015 e 2019, foi comprovado que 98,7 % dos presos em flagrante ganham até 2 salários-mínimos ou não possuem nenhuma renda e 98,5 % são negros. A quase totalidade portava pequenas quantidades de drogas ao ser preso. 


O IAPAZ, desde a sua fundação, em 2003, tem condenado o aparatado repressivo que atinge o segmento mais carente da nossa sociedade e que não leva em consideração as verdadeiras raízes da violência. Uma segurança pública que ataca os efeitos e não as causas. A legalização das drogas pode ser um dos caminhos a ser trilhado, juntamente com uma política que combata as iniquidades sociais e assim esquecerá a guerra contra as drogas, porque melhor será uma guerra contra as injustiças sociais.


*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ