Artigo

Mortes evitáveis

Postado dia: 02/06/2021 - 00:00

A pandemia da Covid-19 tem sido um grande desafio para o mundo inteiro e tem ceifado a vida de milhões de pessoas no planeta. A ciência aponta os caminhos para combater esta grande tragédia, nem todos seguem, mas onde suas orientações são aplicadas, as evidencias científicas provam que milhares de mortes foram evitadas.  No Brasil, milhares de vidas poderiam ser preservadas não fosse a política negacionista do governo federal.


A jornalista Vanessa Barbara, em artigo publicado no The York Times em 28/05/21, acusa o presidente Bolsonaro de querer matar 1,4 milhão de brasileiros ao defender a “imunidade de rebanho”. O calculo da jornalista leva em consideração a taxa de mortalidade de 1% dos contaminados.  
 

Este cálculo está subestimado, primeiro porque a imunidade pode ser de curto,  médio ou longo prazo, portanto a pessoa “imunizada”  pode vir a se contaminar novamente inclusive com sintomas de maior gravidade, segundo porque o surgimento de novas cepas pode agravar a situação e o número de mortes tende a aumentar.  A imunidade coletiva só e viável através da vacinação.
 

Em matéria no Fantástico do dia 30/05/21, foi divulgada a pesquisa feita pelo instituto Butantã e a USP de Ribeirão Preto, onde foi vacinada mais de 90% e o resultado foi: o número de casos caiu de 699 em março para 251 em abril, o de mortes de 20 para 6. Houve uma queda de 95%  de mortes, 85% de casos e 86% de hospitalizações. Enquanto isso, nas 15 cidades vizinhas o número de casos aumentou assustadoramente.
 

Na CPI da Covid-19, o diretor do Butantan, Dimas Covas,  informou que o instituto ofereceu em julho de 2020,  ainda para dezembro, 60 milhões de doses da CoronaVac e foi recusado. Posteriormente ofereceu 100 milhões de doses até maio de 2021, proposta também recusada e o próprio presidente falando que não iria comprar a vacina chinesa. Só em janeiro de 21 o contrato foi assinado. Se as vacinas fossem compradas em quantidade suficiente,  toda a população já estaria vacinada.
 

As manifestações do dia 29/05/21 mostram a mobilização dos defensores da vida e como diz o cartaz “Quando o povo tem que ir às ruas no meio de uma pandemia, é porque o seu governo é pior do que o vírus”. O calculo é polemico, mas a ciência prova que dezenas de milhares de mortes poderiam ser evitadas.
 

* Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ