Artigo

Ministério da Doença

Postado dia: 10/06/2021 - 00:00

A CPI da Covid-19 tem como uma das linhas de investigação a atuação de um grupo que tem aconselhado o presidente Bolsonaro no enfrentamento à pandemia. Com isso, observa-se uma atuação paralela ao Ministerio da Saúde.  Alguns chamam de ministerio paralelo, outros de gabinete das sombras. O relator da CPI senador Renan Calheiros denominou de “Ministerio da Doença”.


Conforme vídeo divulgado pelo portal Metrópoles, uma das reuniões ocorreu dia 08 de setembro de 2020 com o presidente Bolsonaro, Osmar Torres, Fabio Wajngarten, Nise Yamaguchi, entre outros participantes. No evento, posicionamentos antivacina, e reafirmação do uso da hidroxicloroquina. 


Quando foi realizada esta reunião o Brasil já contava com 127.517 mortes. Daí pode-se observar o comportamento do presidente da República que se recusou a comprar vacinas, que só da Coronavac estaria a disposição do país 60 milhões de doses ainda em dezembro de 2020. A resistência em imunizar a população é uma estratégia defendida pelos conselheiros e pelo presidente do que eles chamam de  “imunidade de rebanho” através da contaminação da população sem o uso de vacinas.


Acontece que a chamada imunidade coletiva só é possível através de vacinas, um exemplo que podemos citar é o de Manaus, onde alguns consideravam que lá já havia a “imunidade de rebanho” e o que se observou foi o agravamento da situação inclusive com mortes por falta de leitos e de oxigênio.  Com relação a hidroxicloroquina, já ha um consenso entre os cientistas que além do medicamento não ter nenhum beneficio,  pode ter consequências graves para as pessoas acometidas da covid-19. 


Diante das orientações do Ministério da Doença observamos o presidente da república  até hoje defendendo a hidroxicloroquina , dificultando a vacinação, e promovendo aglomerações. Desde o início da pandemia segundo o levantamento de o Globo baseado nos álbuns de fotografias oficiais do Palácio do Planalto, o presidente já fez 84 aglomerações.  Assim continua a politica do governo federal de propagação do virus e a CPI da Covid-19, haverá de barrar esta ofensiva de alta letalidade  que já custou  a vida de 473.495 pessoas.


* Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ