Artigo

500 mil assassinatos

Postado dia: 14/06/2021 - 00:00

O Brasil continua com sua ofensiva de assassinatos em massa, não bastasse o nível de violência principalmente urbana que tem ceifado a vida de cerca de 50 mil pessoas anualmente no país, onde as maiores vítimas são os jovens, pobres e negros e as desastrosas operações policiais como a que matou a jovem negra de 24 anos Kathlen Romeu, grávida de 14 semanas, hoje vivemos uma tragédia que já provocou 487.476 perdas humanas, representando 12,7% do total das mortes por covid-19 do mundo.


Se as mortes por COVID-19 podem ser evitadas, se já está claro no mundo inteiro quais são as medidas para evitar as perdas humanas e ainda assim o governo federal continua sua politica institucional de propagação do vírus, onde defende o não uso de máscaras, estimula o uso de medicamentos ineficazes, dificulta a vacinação, persegue governadores que tomam medidas preventivas inclusive apelando para o Supremo Tribunal Federal, aí já não se trata de ignorância e sim de uma ação deliberada que culmina em assassinatos em massa.


Segundo estudo do ex-reitor da universidade Federal de Pelotas Pedro Hallall, publicado recententemente na revista The Lancet, 3/4 de mortes poderiam ser evitadas no Brasil se fossem seguidas as orientações da Organização Mundial da Saúde. Um outro estudo da Imperial College  London de março de 2020, apontava que o número de mortes pela covid-19 no Brasil poderia variar de 44 mil a mais de um milhão a depender das medidas preventivas aplicadas.


Considerando as subnotificações, no Brasil o número de mortes evitáveis provavelmente se situa em torno de 500 mil e o de recuperados ultrapassa 15 milhões de pessoas que conseguiram sobreviver mas ficaram sequelas, sofrimento e as marcas de uma politica deliberada do governo federal de alta letalidade.  São, crianças, jovens , adultos, idosos, homens mulheres, não se trata de números mas de histórias de vida interrompidas precocemente, de famílias destruídas.


Assim como foi o julgamento de Nuremberg logo após a segunda guerra mundial onde julgou os crimes praticados pelos nazistas, aqui no Brasil torna-se necessário o julgamento  e a punição dos responsáveis pelos assassinatos em massa da população. Assim se fará justiça e abrirá caminho para a construção da paz.


* Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ