Artigo

270 X 1

Postado dia: 29/06/2021 - 00:00

Hoje tratarei de um tema extremamente delicado e polêmico: a política de segurança publica no país. Abordarei o episódio Lázaro, morto nesta segunda-feira, depois de uma operação que durou 20 dias e contou com a participação de 270 policias, suporte de helicópteros e cães farejadores. Lazaro foi acusado de vários crimes e assassinatos.


Muita polêmica sobre a situação. Muitos comemoraram a morte de Lázaro e fortalecem o discurso de que "bandido bom é bandido morto". Esta lógica tem levado a morte de milhares de pessoas, inclusive muitos inocentes como se fossem todos bandidos, e estimula a ação de justiceiros milicianos que executam pessoas passando por cima do devido processo legal.


No Brasil não existe pena de morte, felizmente. Mas, observamos cerca de 60 mil assassinatos por ano. As principais vítimas são jovens, negros e pobres. No caso específico de Lázaro, 270 policiais com todo aparato não seriam capazes de prendê-lo vivo? Sua prisão não ajudaria com dados e informações para aperfeiçoamento do sistema de segurança?


Sobre a temática o escritor, ator, Youtuber Felipe Neto fez a seguinte postagem no Twitter: "Eu tenho medo dessa turma. Se eles acham que todo sujeito responsável por mortes deve ser assassinado... Imagina o q eles acham que deve ser feito com o Bolsonaro. Cruzes... A não ser que eles tenham genocida de estimação. Será? Tipo 'esse a gente mata', 'esse a gente elege'"?


Uma internauta responde a Felipe Neto: "entre a vida do policial na mata e desse bandido que afirmou que iria atirar na cabeça dos policiais que fossem atrás dele, prefiro o policial". Felipe Neto replica: "e entre a vida de 400 mil pessoas que morreram desnecessariamente e a do presidente?. Um outro internauta responde: "o jeito que ele ( Bolsonaro) mata a gente é diferente".


A política de segurança tem de ter como princípio elementar a preservação da vida de quem quer que seja, até mesmo de genocidas que devem ficar confinados em prisões para não colocarem em risco a vida das pessoas. O tema é polêmico, vamos refletir e continuar o debate.

 

* Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ