Artigo

As vacinas e a corrupção

Postado dia: 06/07/2021 - 00:00

O Brasil que possui o melhor sistema público de imunização do mundo,  infelizmente, continua muito atrasado no processo de vacinação da população contra a Covid-19. Como se não bastasse a política institucional do governo federal de propagação do coronavírus, observamos a sabotagem na aquisição de vacinas aptas a serem adquiridas e agora a denúncia de corrupção na compra da Covaxin. Este processo cruel já causou mais de 500 mil mortes, milhares poderiam ser evitadas.


O governo federal  assinou contrato de compra de 20 milhões de doses da Covaxin junto à Precisa Medicamentos, intermediária do Laboratório Bharat Biotech da Índia, em 25 de fevereiro de 2021, cujo valor total foi de R$ 1,614 bilhão, quando documento da CPI da Covid-19 constata que o preço inicial do laboratório era de US$ 1,34 a dose, diferente, portanto, do atual preço de US$ 15. Isto significa que, de acordo com o preço inicial, o contrato teria valor de R$ 160 milhões.


Existia disponível no Brasil, a CoronaVac  custando  R$ 58,00 a dose, a Astrazenica (R$ 30,00), a Janssen (R$ 56,00 - dose única) e a Pfizer (R$ 56,00)  com aprovação definitiva na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária),  e que procurou o governo federal mais de 100 vezes para vender a vacina sem êxito, https://www.instagram.com/p/CQw6v7bDGBQ/. Todos estes imunizantes eram negociados diretamente com os governos, sem intermediários. A Covaxin foi contratada por R$ 80,00, onde há denúncia de corrupção na operação.


Na CPI da Covid-19, o deputado federal, Luis Miranda, e seu irmão, Luis Ricardo Miranda, funcionário do Ministério da Saúde, afirmaram para os senadores que em março de 2021 avisaram ao presidente Bolsonaro os problemas e a suspeita de corrupção na compra da Covaxin. É bom lembrar que quando foi contratada não tinha nem sequer aprovação emergencial pela ANVISA.


O fato é que em 30/06/21 o Brasil estava colocado na 68ª posição no mundo em número de vacinados por população. E a situação só não é mais grave em função da aplicação da CoronaVac, que o presidente Bolsonaro tentou sabotar.  A população já estaria toda vacinada se não fosse a política negacionista do governo federal que ao invés de comprar as vacinas mais baratas e eficazes se preocupou em esquemas, envolvendo intermediários e, segundo os irmãos Miranda, com fortes suspeitas de corrupção.


*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ