Artigo

A facada

Postado dia: 20/07/2021 - 00:00

O presidente Bolsonaro foi internado no dia 14 de julho de 2021, no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, depois de apresentar um quadro de obstrução intestinal, segundo o médico, o oncologista Antônio Luís Miranda, o mesmo que operou ele quando do atentado a facada, em 2018, por Adelio Bispo dos Santos. O seu filho, senador Flávio Bolsonaro, afirmou que o pai tinha sido entubado e estava na UTI, por precaução.


Já no dia 16 de julho, Bolsonaro estava circulando pelo hospital, visitando outros pacientes e sem máscara. Dois dias depois, 18 de julho, sai do hospital, mais uma vez, se posicionando contra as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) no combate à Covid-19, mentindo ao dizer que as vacinas estão em fase experimental, que o voto em urna eletrônica não e auditável, que houve fraude nas eleições de 2014 e 2018 e retomando questão da facada.


A ex-bolsonarista, deputada federal Joice Hasselmann, que foi líder do governo entre fevereiro e outubro de 2019, afirmou em 02 de julho de 2021, de viva voz. que Bolsonaro falou na época, pouco dias antes do atentado: "se eu tomasse uma facada, ganhava a eleição" (vide https://www.youtube.com/watch?v=CxK4cCufmCE). Agora, Bolsonaro faz exposição desnecessária do corpo, na cama do hospital, e volta a falar do atentado a facada.


Todos sabem que o atentado foi determinante para eleição de Bolsonaro e agora onde seu governo está envolvido em um mar de lama, com denúncias de corrupção relacionadas as negociações com as vacinas, constatadas pela CPI da Covid-19, o gabinete do ódio e das Fake News, busca vitimizar o presidente, retomar e relacionar a doença aos acontecimentos de 2018.


Por uma questão de princípio, defendo a vida, inclusive de criminosos, não desejo a morte de ninguém, nem mesmo de Bolsonaro. Desejo, sim, que ele seja impedido de cometer crimes, inicialmente através do impeachment, que precisa ocorrer imediatamente e depois na cadeia para não continuar com o genocídio, já que ele próprio afirmou que sua especialidade é matar. As mais de 540 mil mortes pela Covid-19 não podem ficar impunes.


As manobras diversionistas gestadas no gabinete do ódio, não podem desviar a atenção da sociedade que busca o resgate da democracia, da nossa bandeira usurpada por criminosos, combater a corrupção e construir uma sociedade com paz e justiça social.


*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ