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O feijão vencerá o fuzil

Postado dia: 31/08/2021 - 00:00

Mais uma das declarações do presidente Bolsonaro mostra sua defesa intransigente da morte, dos outros, para sua família as mansões, as rachadinhas,  a fartura, o desperdício e a impunidade.  Para quem discorda de suas posições a perseguição e a eliminação. Assim é a política bolsonarista.


No dia 27/08/21, na porta do Palácio da Alvorada afirmou: "Tem que todo mundo comprar fuzil. Povo armado jamais será escravizado. Sei que custa caro. Tem idiota, 'ah, tem que comprar feijão'. Cara, se não quer comprar fuzil, não enche o saco de quem quer comprar",


O numero de armas de fogo no Brasil cresceu de forma assustadora após o seu governo ter estabelecido regras para facilitar a compra de armamento e munições. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021, em 2019 foram registradas 94.416 novas armas e em 2020 este número chegou a 186.071, representando um aumento da ordem de 97,1%. 
Enquanto aumenta as armas incluindo os fuzis, diminui a possibilidade da população pobre se alimentar, a fome cresceu de forma considerável, a carestia inviabiliza as pessoas pobres terem acesso aos produtos alimentícios básicos, como feijão, carne, arroz e frutas e a insegurança alimentar atinge milhões de brasileiros.


Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em 2016 o numero de brasileiros com insegurança alimentar grave era de 3,9 milhões de pessoas, em 2020 cresceu para 7,5 milhões. Considerando um quadro de insegurança alimentar moderada ou grave este número atingiu 49,6 milhões da população brasileira em 2020. 


Felizmente o Brasil não se encontra dividido meio a meio, existe sim uma parcela minoritária defendendo as posições nazifascistas do governo federal e a ampla maioria defendendo a democracia, os direitos humanos, a alimentação, o feijão e a vida. As pesquisas mostram o desgaste de Bolsonaro e é visível o seu desespero buscando recrudescer o autoritarismo. 


Como disse Geraldo Vandré “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.” A população brasileira precisa barrar o autoritarismo e resgatar nossa democracia. É preciso impedir Bolsonaro de continuar sua política de morte. Os sinais de uma frente ampla são visíveis e a mobilização popular nos deixa convictos de que o feijão e os direitos humanos vencerão o fuzil.  


* Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ