Artigo

Além de Bolsonaro

Postado dia: 08/09/2021 - 00:00

Pelo desenrolar dos acontecimentos é possível especular que os crimes cometidos no 7 de setembro podem ter selado definitivamente o destino de Bolsonaro, que não se restringe à figura do presidente. Muito mais do que isso, ele representa hoje, em nível mundial, a principal expressão da extrema direita, do pensamento ultraconservador, maximizado pela supremacia do capitalismo financeiro, do rentismo.


Com a derrota de Trump nos Estados Unidos, Bolsonaro tornou-se a grande vedete internacional do ultraliberalismo neofascista de orientação negacionista, pois detém a presidência da nona maior economia do mundo. Agora, é importante não confundir a trajetória, a carreira política do presidente, que indiscutivelmente vive uma realidade desesperadora, com a agenda econômica ultraliberal, que o elegeu e ainda o sustenta, submetendo a nação à tamanha estupidez.

 

Mesmo que o impeachment não saia, apesar da adesão de partidos que passaram a apoiar como o PSDB, o PSD e até setores do Centrão, devido às novas e graves ameaças à ordem constitucional feitas pelo presidente na terça-feira, as chances de reeleição ficaram bem mais remotas.


No entanto, se Bolsonaro encontra-se hoje em maus lençóis, não se pode dizer o mesmo do ultraliberalismo, uma degeneração do neoliberalismo, que tanto tem infelicitado o Brasil e os brasileiros. Aliás, a agenda ultraliberal, que promove o entreguismo, corta direitos, restringe liberdades e intensifica a repressão policial, é o grande fator que unifica as elites, da extrema direita à direita perfumada, que jura tomar banho e escovar os dentes, como Dória, Mandetta, Eduardo Leite, Datena e outros do mesmo naipe.


Indiscutivelmente, a prioridade de agora é derrotar o neofascismo bolsonarista, mas sem perder de vista a necessidade vital de também superar o projeto ultraliberal para garantir a retomada da democracia social, amparada em mecanismos capazes de promover o desenvolvimento sustentável centrado na desconcentração da riqueza, impedir novos retrocessos e evitar outros bolsonaros da vida.


* Rogaciano Medeiros é jornalista