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530 células neonazistas no Brasil

Postado dia: 14/09/2021 - 00:00

O Brasil historicamente tem sido marcado pelo autoritarismo e pequenos intervalos de democracia. As vozes que hoje se levantam defendendo a intervenção militar, os sinais do nazifascismo incrustados no governo Bolsonaro, são resquícios da tradição autoritária do nosso país e dos momentos sombrios que o povo brasileiro enfrentou. Estes setores que agora saem do “armário” embora minoritários precisam ser contidos.


Oficialmente, somente em 1888 através da Lei Áurea foi extinta a escravidão no Brasil, em 1889 houve a Proclamação da República, mas o direito de voto era restrito aos homens. Posteriormente tivemos o estado novo de 1937 a 1945 e a ditadura militar de 1964 a 1984. Em 1988  a constituição foi uma importante conquista democrática.


Em 2018 assume a presidência da República Jair Bolsonaro depois de 27 anos como parlamentar medíocre, sempre defendendo a tortura, a ditadura militar, posições misóginas, racistas, onde seu símbolo principal da campanha para presidente foi a morte através do gesto repetido por seus seguidores de fazer arminha com a mão. 


Assim as elites escravocratas e autoritárias viabilizaram a vitória do presidente Bolsonaro, depois de dar um golpe na democracia retirando Dilma da presidência e prendendo sem provas o ex presidente Lula favorito da disputa eleitoral na época. Hoje as células nazifascistas crescem e a ameaça de tempos ainda mais sóbrios podem se concretizar se as forças democráticas do país não se unirem. 


A antropóloga Adriana Dias em entrevista ao jornal Folha de São Paulo de 14/08/21, constatou o crescimento das células neonazistas que saltou de 75 em 2015 para 530 em maio de 2021. As páginas ligadas as ideias de Hitler removidas da internet em 2015 foram 329 em 2020 aumentou para 1659.


São inúmeros sinais da ligação do governo Bolsonaro com o nazifascismo, a começar pelo slogan “Brasil acima de tudo”, onde o brado nazista era “Alemanha acima de tudo”. Mais alguns exemplos: Bolsonaro e equipe em uma live tomando copo de leite, tido como símbolo da supremacia branca. A live do secretario de cultura Roberto Alvim, imitando o ministro de propaganda nazista Joseph Goebbels. 


O risco que o Brasil corre do recrudescimento do autoritarismo e do crescimento das ideias neonazistas não pode ser subestimado.  O nazifascismo precisa ser derrotado.


* Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ