Artigo

Fraude genocida

Postado dia: 28/09/2021 - 00:00

Um dos principais personagens das redes sociais e defensor do tratamento precoce sem eficácia, o médico Anthony Wong, faleceu em 15 janeiro/21 e o atestado de óbito constava que morreu de choque séptico, pneumonia, hemorragia digestiva alta e diabetes mellitus. A morte de Regina Hang , mãe do bolsonarista dono da rede Havan, em 04 de fevereiro/21, o atestado de óbito não constava a verdadeira causa. Os dois usaram o chamado “kit covid” e foram internados em função da covid-19, os atestados foram fraudados.


A TV globo teve acesso aos prontuários que provam esta fraude, os dois foram internados no Sancta Maggiore e não resistiram as complicações da covid-19, o atestado de óbito não podia omitir esta informação, isto se constitui na total falta de ética e contribui para o genocídio que já ceifou a vida de quase 600 mil pessoas. Estes dois casos são a ponta do iceberg, a Prevent Sênior, desenvolveu estudo, falsificando dados, sem passar pelo comitê de ética, obrigatório para pesquisas em seres humanos.  


Bolsonaro utilizando informações desta pesquisa falsificada, afirmou em 19/04/2020 em suas redes sociais que de 636 pacientes com covid-19 atendidos na Prevent Senior, 412 usaram a hidroxicloroquina e outros 224 não receberam o medicamento. Dos que receberam medicação apenas 8 foram internados e nenhum morreu. No grupo que não recebeu hidroxicloroquina, 12 teriam sido hospitalizados e cinco teriam morrido. (BBC, 23/09/21).


O dossiê apresentado à CPI, por um grupo de médicos da rede de planos de saúde Presente Sênior, no entanto, diz que esses dados teriam sido fraudados. Uma planilha incluída nesse material obtida pelo portal G1, constata que, nove pessoas morreram dentro desse experimento, seis estariam no grupo que tomou hidroxicloroquina e duas no grupo que não tomou. Não há informação sobre o nono paciente (BBC,23-09-21).


A falsificação da pesquisa realizada, utilizando seres humanos como cobaias, sem passar pelo comitê de ética, para justificar a utilização de medicamentos sem eficácia para a covid-19 e com sérios efeitos colaterais, é uma fraude genocida, contribui para o aumento de mortes evitáveis e se constitui em crime contra a humanidade. Os responsáveis devem ser julgados e rigorosamente punidos.


* Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ