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Cuidado paliativo ou morte desnecessária?

Postado dia: 13/10/2021 - 00:00

O advogado Tadeu Frederico Andrade que permaneceu 120 dias internado em um hospital da rede Sancta Maggiore denunciou na CPI da covid-19, dia 07/10/21 que sua família lutou contra a Prevent Sênior, cuja médica teria comunicado a uma de suas filhas que ele passaria a ter cuidados paliativos e consequentemente morreria com maior dignidade e conforto. A resistência familiar garantiu a sobrevivência de Frederico.


Frederico foi atendido de forma virtual inicialmente em 24 de dezembro de 2020, com os sintomas da covid-19, a profissional médica receitou o “kit covid” que ele recebeu em sua residência para tomar durante 5 dias. O seu quadro de saúde piorou, em 30 de dezembro, se dirigiu ao hospital, foi confirmado que estava com covid-19 e com pneumonia bacteriana, foi entubado e após 30 dias foi sugerido os cuidados paliativos.


Segundo declaração de Frederico à CPI da covid-19 a médica comunicou a uma das filhas que ele passaria a ter cuidados paliativos, sairia da UTI, iria para um leito híbrido e lá teria maior dignidade e conforto e seu óbito ocorreria em poucos dias, “seria ministrado em mim uma bomba de morfina e todos os meus equipamentos de sobrevivência na UTI seriam desligados” e se houvesse uma parada cardíaca a recomendação era de não reanimar. A família se insurgiu, ameaçou buscar a justiça, chamar a mídia e “eles recuaram, hoje estou vivo”.

 

Esta denúncia se junta a outras gravíssimas na própria CPI da covid-19, quais sejam a obrigatoriedade da equipe médica receitar medicamentos sem eficácia para a doença e com efeitos colaterais graves, com a conivência do Conselho Federal de Medicina (CFM), a pesquisa em pacientes sem passar pelo comitê de ética, utilizando seres humanos como cobaias, a fraude nos atestados de óbito omitindo a verdadeira causa da morte, tudo isto contribuindo para o aumento das mortes evitáveis.


Todas estas denúncias de extrema gravidade deixam claro a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) e do fortalecimento da saúde pública em contraposição ao sistema privado cuja meta principal é o lucro e não salvar vidas. Colocar o ser humano como objeto descartável para alimentar as mentes doentias dos empresários, como atestam as denúncias contra a Prevent Senior é um crime inaceitável.


*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ