Artigo

A ciência sob ataque

Postado dia: 16/11/2021 - 00:00

Qualquer país do mundo para responder aos grandes desafios e demandas da sociedade precisa entre outras ações, investir em ciência e tecnologia. No Brasil vivemos uma ofensiva negacionista protagonizada pelo presidente da república Jair Bolsonaro, cujos efeitos mais visíveis foram observados na pandemia da covid-19 com mais de 600 mil mortes evitáveis. Os ataques continuam atingindo a comunidade científica.


O presidente Bolsonaro cancelou a medalha da Ordem do Mérito Científico que tinha sido concedida aos pesquisadores Marcus Vinicius Guimarães Lacerda que desenvolveu pesquisa demonstrando a ineficácia da cloroquina e Adele Schwartz Benzaken que desenvolve pesquisas contra HIV/AIDS. O decreto presidencial de concessão foi dia 03/11/21 e o de revogação dia 05/11/21.


Diante desta aberração e perseguição aos pesquisadores, os demais cientistas que também foram condecorados, renunciaram a homenagem. Os 21 cientistas se solidarizaram com os colegas e mostraram sua indignação através de uma carta aberta onde enfatiza: 


“Enquanto cientistas, não compactuamos com a forma pela qual o negacionismo em geral, as perseguições a colegas cientistas e os recentes cortes nos orçamentos federais para a ciência e tecnologia têm sido utilizados como ferramentas para fazer retroceder os importantes progressos alcançados pela comunidade cientifica brasileira nas últimas décadas.”


O mais estranho é que sendo um inimigo da ciência, Bolsonaro concede a si mesmo a medalha do Mérito Científico. Sabotou a vacina, até hoje defende tratamento ineficaz, principalmente com a cloroquina, se coloca contra as medidas preventivas para combater a covid-19, cortou orçamento da ciência e tecnologia e mesmo assim se autocondecora.


Em 15/10/21 o presidente Bolsonaro sancionou a lei que retirou 90% do orçamento de 2021 que seria destinado a ciência e tecnologia para financiamento de projetos e pesquisas cientificas, um corte de R$ 600 milhões


A política destrutiva, do governo Bolsonaro, com retirada dos direitos sociais e dos trabalhadores, concentração de renda, desemprego, fome, entrega das nossas riquezas ao grande capital, enfraquecimento da democracia, tem também como um dos seus principais objetivos o ataque a ciência.   


* Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ