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Olhe para cima

Postado dia: 04/01/2022 - 00:00

O filme Não Olhe Para Cima retrata de forma bem nítida o drama da humanidade na atualidade onde, diante de evidências científicas, observamos uma divisão entre os que acreditam na ciência e os negacionistas. Trata-se de uma descoberta de dois cientistas de que um grande cometa vai se chocar com a Terra cujo impacto corresponde a um bilhão de bombas atômicas de Hiroshima, consequentemente destruindo a vida no planeta.


Esta tragédia poderia ser evitada. Inclusive, a partir dos estudos científicos, uma missão foi enviada pelos Estados Unidos para desviar a rota do cometa e evitar a catástrofe, entretanto foi abortada. Um bilionário da área de tecnologia convenceu a presidenta a partir de pesquisa fraudada de que o cometa possui metais raros cujo valor era de US$ 140 trilhões. O cientista questiona: o que importam os trilhões de dólares se vamos morrer?


O filme do diretor Adam McKay é uma ficção metafórica que pode ser aplicado ao negacionismo do governo federal do Brasil com relação à Covid-19, assim como no filme, onde houve uma divisão entre os movimentos Não Olhe Para Cima para não enxergar o cometa se aproximando da Terra em contraposição ao chamado dos cientistas Olhe para Cima para observar o risco de extinção de vida planetária. A pandemia também foi subestimada, negada e pesquisas foram fraudadas para enganar e dividir a população.


No filme, entre as diversas fake news fala-se que “bilionários judeus inventaram a ameaça do tal cometa para o governo confiscar nossa liberdade e nossas armas. #não tenha medo”. Aqui, a presidência da república sabota as medidas preventivas como, por exemplo, o passaporte de vacina e a vacinação, inclusive das crianças, em nome da liberdade e desenvolve uma ofensiva através de ações e de legislação para armar as pessoas, na realidade as milícias.


No Brasil, o governo federal sabota as medidas preventivas e desenvolve uma política institucional e proposital de propagação do vírus. Centenas de milhares de mortes poderiam ser evitadas e a situação só não foi mais grave em função da parcela da sociedade defender a ciência. No filme, o cientista indignado chama os governantes de lá de sociopatas e fascistas. Aqui, provavelmente, faria o mesmo acrescentando o adjetivo genocida e conclamava em alto e bom som OLHE PARA CIMA.


*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ