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Apagão na Saúde

Postado dia: 12/01/2022 - 00:00

Para o enfrentamento a pandemia da covid-19, a ciência aponta medidas preventivas como vacinação, uso de máscara e distanciamento social.  Uma das questões fundamentais diz respeito ao acompanhamento da situação através de dados transparentes sobre a doença que se espalha pelo mundo. Estudos epidemiológicos são fundamentais para que sejam tomadas as medidas necessárias para preservação de vidas. Lamentavelmente, o Brasil vive um apagão de dados exatamente na área da saúde.


Ainda em meados de  2020, o Brasil sofreu o primeiro apagão provocado pelo governo federal, impossibilitando o acesso aos dados dos números de infectados e mortos pela Covid-19, chegando ao ponto de tirar a plataforma oficial do Ministério da Saúde do ar. O Supremo Tribunal Federal determinou que o governo voltasse a divulgar as informações como era feito anteriormente.


Em 10 de dezembro de 2021, o governo informa que houve um ataque hacker ao Ministério da Saúde provocando um novo apagão de dados, atingindo todo o sistema, inclusive o conecte-SUS, que emite comprovante de vacinação. O apagão coincide com a insistência do presidente da República de sabotar as medidas preventivas que salvam vidas.


Para se ter uma ideia, só em 2020, segundo estudos da Escola de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, o governo federal emitiu 3.049 normas para sabotar as medidas preventivas. De acordo com a pesquisa, o objetivo era propagar o vírus. Em 2021, a ofensiva continuou com centenas de ações, inclusive contra a vacinação das crianças.


O apagão de dados se dá em um momento crucial, com aumento no mundo inteiro o numero de infectados, principalmente com a variante Ômicron. Os pesquisadores precisam ter acesso aos dados para o desenvolvimento de ações para preservação das vidas. Cerca de 500 mil mortes poderiam ser evitadas não fosse a sabotagem do governo Bolsonaro. A situação poderia ser muito mais grave se não contasse com segmentos importantes da sociedade que defendem a ciência e a vida das pessoas.


*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ