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Carta compromisso de Lula

Postado dia: 21/01/2022 - 00:00

Candidato a presidente da República, Lula alerta que “chegou a hora de rompermos com a tradição de poder das elites brasileiras”. “Proponho-me a fazer do poder político um instrumento capaz de promover as profundas reformas exigidas pela nossa sociedade”. 


Lula assume publicamente os compromissos de “fazer, da geração de empregos, a prioridade número um do meu governo; de livrar o Brasil da vergonha histórica de ser uma Nação ainda com legiões de famintos e flagelados, doentes e analfabetos, desempregados e humilhados, sobreviventes da dor; de acabar com a vergonha de termos uma infância abandonada e garantir a todas as crianças do Brasil um lugar assegurado em uma escola com qualidade; e fazer da saúde um dever do poder público.”


Lula assume também “o compromisso de fazer uma verdadeira reforma agrária, desapropriando terras ociosas como determina a nossa Constituição e assentando as famílias sem terra”. Compromete-se ainda a tornar o Brasil “uma economia industrial forte, preservando as grandes empresas nacionais capazes de competir nos mercados globalizados e estimulando a micro, a pequena e a média empresas, que são as maiores geradoras de empregos”.


O candidato petista garante que haverá de “implantar gradativamente um programa de renda mínima para que todos neste país tenham o direito de sobreviver com dignidade e partilhar da riqueza desta Nação”. E também assume o compromisso de “empenhar todos os meus esforços para acabar com a corrupção e a sonegação de impostos e, assim, transformar cada real arrecadado em benefícios sociais e investimentos de interesse público”. E assegura: “No meu governo, a luta contra a corrupção será um imperativo ético irrenunciável. A corrupção mina a democracia e degrada a política. Não permitirei a prática do `toma-lá-dá-cá´”. Garante ainda:  “combateremos a corrupção com todo vigor para acabar com a triste imagem do país da impunidade”.


Lula promete que, se eleito, “as relações com o Congresso Nacional e os partidos políticos serão feitas à luz do dia, com respeito e sem fisiologismos”. E admite que “já passou da hora de resgatarmos o idealismo da nossa juventude, livrá-la do consumismo desenfreado e das drogas, da apatia e do desinteresse, despertando o melhor de suas energias culturais e espirituais”.


Quanto à mulher, ele se compromete a “jogar todo o peso da lei na garantia dos direitos iguais para homens e mulheres”, como também declara que haverá de “defender o meio ambiente, preservar os recursos naturais da Amazônia, combater a poluição nas cidades, nos campos, nos rios, nos lagos e no mar”. Promete que, uma vez eleito, “vamos impedir a destruição de nossas florestas e defender os direitos dos povos indígenas, que são também filhos desta terra e aqui nos antecederam”.


Lula quer “arrancar o Brasil da humilhante posição de campeão mundial de desigualdades sociais”. E assegura: “No meu governo, vou garantir a estabilidade monetária, mas também a estabilidade econômica e social. Serei o fiador de um novo contrato social com este país, que se fundamentará numa nova hegemonia democrática, capaz de efetivamente construir a Nação brasileira para todos os brasileiros. Uma Nação sem medo de ser feliz e com coragem para assumir o seu destino”. 


Esta é a síntese dos compromissos assumidos por Lula na campanha eleitoral para presidente da República, em 1998, tendo como vice Leonel Brizola. Fernando Henrique Cardoso foi reeleito presidente com 53,06% dos votos; Lula mereceu 31,71%; e Ciro Gomes, 10,97%.

 

* Carlos Alberto Libânio Christo, Frei Betto, é frade dominicano, jornalista e escritor