Artigo

Propagação do crime

Postado dia: 04/02/2022 - 00:00

A partir de uma investigação da Polícia Civil e do Ministério Público foi apreendido um arsenal de 26 fuzis M16, um fuzil 308, 21 pistolas e muita munição na casa de Vitor Furtado, conhecido como "Bala40". Ele usava o registro de Caçador, Atirador e Colecionador para comprar armas e munições de forma legal e repassar para o crime organizado (Fantástico, 30/01/22). Este fato mostra que a política do governo Bolsonaro de flexibilização de acesso às armas serve para a propagação do crime.


A política institucional de Bolsonaro de armar a população, tem como consequência alimentar com armas pesadas o crime organizado. Desde que assumiu o governo já foram 14 decretos, 14 portarias, 2 projetos de lei entre outras iniciativas para flexibilizar o acesso a armas e munições (Globo, 30/01/22). A situação não está mais grave em função da ação do Supremo Tribunal Federal que tem tido uma posição de preservar a Constituição, evitando as ilegalidades nas ações do governo federal.


O crescimento do número de registro concedidos pelo Exército para colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) é assustador. Para se ter uma ideia, em 2015 foram 11.078. Já até novembro de 2021 foram 388.138 (Globo, 30/01/22). A situação tende a se agravar considerando que o nível de violência no país nas últimas décadas tem sido bastante elevado. São cerca de 50 mil assassinatos por ano, parte considerável em função da ação das milícias e demais facções criminosas.


Já em 2020 as milícias controlavam 57,5% da superfície territorial do Rio de Janeiro e 33,1% da população (2.178,620 milhões). As demais facções controlavam 24% da população (1.584.207), e em disputa se encontram 41,1%, ou seja, 2.659.597 milhões de pessoas (G1, 19/10/20). A facilitação do uso de armas de fogo, longe de proteger a população, serve para aumentar a influência das milícias e demais facções criminosas, com consequências danosas para a sociedade.


Além da política institucional do governo federal de propagação do coronavírus que já matou mais de 626 mil pessoas, a sua insaciável ação de proliferação das armas tem como consequência o fortalecimento das milícias e facções criminosas, mais mortes, mais vítimas e mais sofrimento.


*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ