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Nazismo: a defesa da morte do diferente

Postado dia: 15/02/2022 - 00:00

Teve grande repercussão as declarações de Monark do Flow Podcast e do deputado Kim Kataguiri, dia 07 de fevereiro de 2022,  defendendo a legalização do nazismo no Brasil. Dia 08 de fevereiro, o comentarista da Jovem Pan,  Adrilles Jorge, em uma discussão sobre o nazismo fez um gesto com a mão direita erguida, tido como saudação nazista. No dia 11, o ex-juiz Sérgio Moro, em entrevista à TV Rede Meio Norte, ao saudar os jornalistas, repetiu o gesto de Adrilles. Mera coincidência?


No Brasil desde que Bolsonaro assumiu a presidência da República tem crescido de forma assustadora as ideias e as organizações neonazistas. A central  nacional de denúncias de crimes cibernéticos da SAFERNET, em 2019, contabilizou 1071 denúncias de neonazismo na internet. Em 2020 foram 9.004 e em 2021 aumentou para 14.476. A pesquisadora Adriana Dias contabiliza 530 núcleos neonazistas, reunindo cerca de 10 mil pessoas atualmente (G1, 16-01-2022).


Os grupos e as ideias são alimentadas pelo discurso racista, anticomunista e armamentista do presidente da República. Em 2015, Bolsonaro pousou ao lado de um sósia de Hitler, após audiência pública na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Em novembro de 2021, um dos seus apoiadores no cercadinho citou Hitler como exemplo para educação infantil. Bolsonaro não refutou.


Bolsonaro bebendo leite em sua Live de 01 junho de 2020, tida como símbolos da supremacia branca, o gesto do seu assessor especial para assuntos internacionais Filipe Martins na mesma direção, em 24/03/21, na Câmara dos Deputados, o ex-secretário de Cultura Roberto Alvim usando trechos  de um discurso do Ministro de Propaganda Nazista, Joseph Goebbels, em 2020, são apenas alguns exemplos  que frequentam o Palácio do Planalto.


Defender o nazismo não é liberdade de expressão. É crime que não deve ser tolerado. A essência do nazismo é o extermínio do diferente. É a defesa da morte do outro, é fim da liberdade e da democracia. As propostas do presidente do Brasil são sempre em direção a morte. É um negacionista, antivacina, armamentista, defensor da tortura. Fica indignado com as propostas que visam preservar vidas, é um caso para o Tribunal Penal Internacional.


*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ