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Parabéns, PT. Partido não é vítima, é alvo

Postado dia: 17/02/2022 - 00:00

No último dia 10 de fevereiro de 2022, o Partido dos Trabalhadores completou 42 anos de existência. Essas décadas serviram para mudar a história política do país nos séculos XX e XXI, ainda que alguns não queiram.

 

Nascido da energia acumulada pelas lutas democráticas de segmentos de esquerda, trabalhadores, intelectuais, artistas, organizações civis, sindicatos, associações e as memoráveis CPTs (Comissões Pastorais da Terra), da Igreja Católica, o PT catalisou todas essas forças progressistas em torno de um projeto de democracia de massa na qual pudesse veicular vozes abafadas por um sistema político viciado e burguês, dando dignidade a seres humanos tratados como invisíveis.

 

Decidiu acabar com a fome, cuidar da educação, saúde, moradia, repartir terras ociosas e redistribuir renda de forma mais justa. Com ação e discurso que, objetivamente, alteravam aos poucos a realidade social, chegou ao poder e, claro, virou alvo, virou o inimigo de um sistema capitalista rentista, perverso, que sustenta uma elite desumana, uma classe política insensível, uma maioria religiosa de todas as doutrinas (com raras exceções).

 

Colaborou com a luta pelo Estado democrático de direito, pela liberdade das pessoas de todas as formas, orientação sexual, etnias, gêneros, deficientes, populações de rua e quem mais se sentisse excluído.

 

Um golpe urdido fora do país, em conluio com as elites políticas, econômicas, militares e a mídia nativas, ceifaram um projeto popular que cumpriu a maioria de suas propostas, além de ter retirado dezenas de milhões de irmãos da fome.

 

O PT renasce então em 2022 com Lula liderando, de forma isolada e absoluta, todas as pesquisas para presidente do Brasil. Engana-se quem pensa que essa força popular é vítima. Essa energia vem das massas, é povo, por isso foi alvo.


Porém, nunca, em tempo algum, energias perversas e reacionárias se eternizaram, mas sempre renascem com novas roupagens. Resiliente e perene, as forças populares também ganham fôlego, se fortalecem e continuam sua jornada de luta de classes, porque o povo é a única e verdadeira essência da existência humana. A existência do povo é a manutenção da nossa espécie.

 

* Zeca Medeiros é jornalista e graduando em Sociologia-UFBA