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A pandemia não acaba por decreto

Postado dia: 19/04/2022 - 00:00

O ministro da Saúde Marcelo Queiroga, em pronunciamento à nação em 17/04/22 em rede nacional, anunciou o fim da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN). Isto significa que determinadas medidas preventivas e de tratamento ficarão mais difíceis de serem implementadas considerado que a ESPIN viabiliza com mais rapidez a compra de vacinas e medicamentos, além de decretos e outras medidas relacionados à Covid-19. Mais um ato negligente do governo federal.


A pandemia não acabou. Continua espalhada no mundo inteiro, a redução do número de casos e de mortes não significa que tudo voltou ao normal. Ainda é necessário muito cuidado para evitar novas variantes e o agravamento da situação. As vacinas foram fundamentais para evitar milhares de mortes, mas é preciso observar inclusive a necessidade de novas vacinas e a intensificação do sistema vacinal no Brasil e no mundo.


Entre os países com mais de 100 milhões de habitantes, o Brasil é o que teve o maior número de vítimas por milhão de habitantes (3075/ milhão), (China 3/milhão). O Brasil é o segundo no mundo entre todos os países em números absolutos de mortes, 662.011. O primeiro foi os Estados Unidos com 1.015.451 perdas humanas. Nos dias 16 e 17/04/22, no Brasil, foram registradas 51 mortes, e na China nenhuma. A vacinação em massa detectou nestes dois dias 7.410 casos entre chineses. Na China um lockdown na cidade de Xangai com 25 milhões de habitantes, no Brasil o fim da ESPIN (https://www.worldometers.info/coronavirus/).


Na China o número de mortes durante toda a pandemia até o momento foi de 4.641, com uma população de 1,4 bilhão de pessoas. As medidas preventivas da China salvaram milhares de vidas, talvez milhões. Aqui no Brasil milhares de mortes desnecessárias aconteceram em função da política institucional e proposital do governo federal de propagação do vírus. A situação não foi mais catastrófica ainda em função da luta dos setores que defendem a ciência em contraposição ao negacionismo assassino. 


A pandemia não acaba por decreto e sim pelo fortalecimento dos SUS - Sistema Único de Saúde, pela implementação de medidas preventivas, seguindo as orientações oriundas dos cientistas e pesquisadores e, consequentemente, desenvolvendo uma política de preservação das vidas humanas.


*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ