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Drogas, consumo aumenta

Postado dia: 17/05/2022 - 00:00

O consumo de drogas aumentou.  Segundo o Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico 2019/2020, foram vendidos 5,2 bilhões de embalagens de medicamentos em 2019, em 2018 foram 4,5 bilhões. O faturamento da indústria farmacêutica foi de R$ 85,9 bilhões, um aumento de R$ 6,3 bilhões em comparação com o ano anterior. Um outro aspecto diz respeito ao crescimento da automedicação.


Segundo pesquisa do ICTQ- Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico, o número de pessoas que se automedicam chegou a 89% em 2021, em 2016 eram 72% em 2018 79%, em 2020, 81% e em 2021, 89%. Se medicam a partir de consulta na internet 47% (https://ictq.com.br/farmacia-clinica).  Um outro dado interessante é que o faturamento da indústria farmacêutica em 2019, foi de R$ 8,3 bilhões com medicamentos que não necessitam de prescrição e R$ 77,6 bilhões com medicamentos controlados.


Pelos dados colocados podemos ter uma dimensão do consumo de drogas lícitas no Brasil com uma alta lucratividade para os empresários da indústria farmacêutica, onde o maior faturamento se dá com as drogas controladas. Observa-se um excesso de medicação da sociedade, onde uns consomem exageradamente e desnecessariamente e outros não tem acesso a medicamentos fundamentais para sua saúde.  As drogas ilícitas também têm sido motivo de preocupação social.


Observa-se o crescente crescimento das comunidades terapêuticas, geridas normalmente por entidades religiosas, são mais de duas mil no país. A pesquisa do Conectas Direitos Humanos e Centro Brasileiro de Análise de Planejamento-CEBRAP, sobre financiamento público de comunidades terapêuticas brasileiras, mostra que entre 2017 a 2020 nas esferas federal, estadual e municipal foram destinados R$ 560 milhões para estas instituições, cujo valor vem aumentando ano a ano.


As comunidades terapêuticas são utilizadas pelo governo para atendimento de usuários de drogas, sem levar em consideração as necessidades destas pessoas. O fortalecimento do SUS-Sistema Único de Saúde é o caminho mais indicado para cuidar deste segmento. A medicalização inadequada da sociedade é um problema social e de saúde pública e assim deve ser tratado, seja para drogas lícitas ou ilícitas.


*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ