Artigo

Gás mortal

Postado dia: 31/05/2022 - 00:00

Assassinado num camburão de viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF), onde depois de preso os policiais lançaram gás lacrimogênio e de pimenta até sua morte, Genivaldo de Jesus Santos, 38 anos, é mais uma vítima da banalização da violência no país. A câmara de gás improvisada em área pública assistida pela população, chocou o Brasil e teve repercussão mundial. Não se trata de um caso isolado, este fato se junta aos milhares de jovens, negros e pobres assassinados cotidianamente. 


As práticas de violência, de tortura e de assassinatos são ensinadas em cursinhos por “agentes de segurança”, dentro da lógica bolsonarista, não por acaso Bolsonaro fez  propaganda do curso Alfacom, onde o professor  Ronaldo Bandeira ensina como torturar uma pessoa, no exemplo, dando risada, ele orienta, onde a vítima já está no porta malas:  “O que o policial faz? Abre um pouquinho, pega o spray de pimenta e taca. Foda-se, é bom pra caralho, a pessoa fica mansinha”, “Daqui a pouco escuto ‘vou morrer’, ‘vou morrer’, aí fiquei com pena, vou abrir. Tortura.”


Foi exatamente assim que Genivaldo foi assassinado em 25/05/22 em Umbaúba, Sergipe. Mas Bandeira não é o primeiro do cursinho Alfacon a ensinar como torturar, violentar e assassinar pessoas, em 2018 no curso preparatório para polícia militar de São Paulo, o instrutor Norberto Florindo, ex-capitão da PMSP ensinava alunos a torturarem e matarem suspeitos, e é assim que os negros pobres e excluídos são torturados e assassinados diariamente.


Na chacina de Jacarezinho, foram 28 mortos e 26 armas foram apreendidas, na chacina na Vila Cruzeiro no rio de janeiro em 26/05/22, foram 23 assassinatos, onde 13 vítimas não tinham sequer passagem na polícia e foram apreendidos 14 fuzis e 4 pistolas, em Fevereiro/22 no mesmo local em outra chacina foram 8 mortes. Em 2019, Alexandre Mota Sousa, foi preso com 117 fuzis em sua casa, armas pertencentes a Ronie Lessa, acusado de ter assassinado Marielle. Posteriormente foi solto.


É necessário repudiar e exigir punição severa para os assassinos de Genivaldo, mas não é suficiente atacar apenas os efeitos, é preciso buscar as causas, só assim teremos uma sociedade com paz e justiça social.


*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ