Artigo

Construção da paz mundial

Postado dia: 07/06/2022 - 00:00

O livro Border and Rule: Global Migration, Capitalism, and the Rise of Racist Nationalism da escritora canadense Harsha Walia, faz uma abordagem importante do processo de migração  no mundo, onde segundo a Agência da ONU para Refugiados-ACNUR, já são mais de 100 milhões de pessoas vítimas de deslocamentos forçados e em busca de uma sobrevivência digna (https://www.acnur.org/portugues).


Esse processo se dá principalmente em função das diversas guerras, das mudanças climáticas, gerando tragédias e catástrofes ambientais, no contexto da globalização capitalista, provocando fome e exclusão social.  As grandes potencias capitalistas, principalmente os Estados Unidos, buscam dominar o mundo a partir da exploração das demais nações espalhando desemprego, trabalho precário, mortes e fome, para que os poderosos possam acumular mais riqueza ainda.


Registra Walia em seu livro que apenas 2.200 bilionários detêm US$ 9,1 trilhão da riqueza global, enquanto 3,8 bilhões de pessoas mais pobres do mundo fica com apenas US$ 1,4 trilhão.  Uma parte considerável de trabalhadores migrantes são explorados e ameaçados de demissão e deportação e muitas vezes realizam trabalho em regimes similar a escravidão. O imperialismo produz deslocamentos em massa, mas proíbe e criminaliza a migração livre.


Para se ter uma ideia da brutalidade capitalista, nos Estados Unidos em 2019, foram encarceradas 69.550 crianças migrantes. Segundo Walia, a xenofobia faz parte da guerra racial duradoura contra as pessoas negras, as comunidades indígenas, dalit, muçulmanas, ciganas e latinas, além da guerra social contra camponeses rurais e as comunidades urbanas pobres. O racismo chegou ao ponto do milionário Jason Buzi propor realocar os migrantes para um estado insular.


No mundo atualmente são inúmeros conflitos, causando milhares de perdas humanas e milhões de refugiados, só nas guerras na Síria e no Iêmen são mais de 600 mil mortos. Pessoas negras e pardas que fogem da Ucrânia e outros países, não recebem o mesmo tratamento que os refugiados ucranianos recebem na Europa. 


A redução das desigualdades sociais e a melhoria das condições de vida das pessoas tem importância fundamental no combate ao racismo, xenofobia, exploração e opressão no mundo inteiro e contribuirá de forma decisiva para a construção da paz mundial. 


*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ