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O exército precisa fiscalizar armas

Postado dia: 20/09/2022 - 00:00

O presidente Bolsonaro, prevendo uma derrota esmagadora em 2 de outubro, com a vitória de Lula no primeiro turno, tem feito reiteradas ameaças de não aceitar o resultado das eleições, questionando as urnas eletrônicas, onde nunca se constatou fraude, sempre falando em armar a população e colocando o exército para debater um assunto que não lhe compete. O exército precisa cumprir com suas atribuições entre as quais controle e rastreamento de armas no país.


A política de Bolsonaro sob o argumento de armar a população, na realidade tem servido para armar os grupos criminosos, as milicias e o narcotráfico. O crescimento do crime organizado no Rio de Janeiro tem relação direta com a política de facilitação para aquisição de armas de fogo. Quase cinco milhões de pessoas da região metropolitana do Rio de Janeiro estão sob o controle do crime organizado, um crescimento assustador.


Segundo estudo do Instituto Fogo Cruzado e do Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI/UFF) em 16 anos, o crescimento dos grupos de criminosos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, foi de 387%. O  comando vermelho tem sob sua influência, uma área com 2.042.780 de habitantes, as milícias controlam áreas com 1,7 milhão de pessoas.


Vários decretos para facilitação e aquisição de armas foram editados, pelo governo federal, além disso em abril de 2020, o presidente Bolsonaro revogou três portarias do exército que versavam sobre rastreamento, identificação e marcação de armas, munições e demais produtos controlados pelo exército. O Supremo Tribunal Federal tem debatido o tema e barrado muitas medidas que são inconstitucionais e estimulam a violência.   


O Exército Brasileiro afirmou que não sabe quantas armas no país estão nas mãos dos colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs), mas calcula-se que estejam nas mãos desse segmento mais de um milhão de armas (Uol, 15-09-2022). Isso significa dizer que não existe nenhum controle sobre a quantidade e o uso de armas de fogo no país, consequentemente inexiste uma política de segurança pública que assegure a tranquilidade da população.

 

O exército brasileiro, que não tem sequer o controle das armas espalhadas no país, não pode, não deve, e não é sua competência fiscalizar as eleições.


*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ