Entrevista

Presidente do Sindicato fala sobre os horizontes sociais e políticos

Postado dia: 03/06/2020 - 17:50

O presidente licenciado do Sindicato dos Bancários da Bahia, Augusto Vasconcelos, fala, nesta entrevista, sobre os desafios da nova gestão, que acaba de ser definida na primeira eleição virtual da história do Sindicato.


Ele aborda a luta da entidade no cenário da pandemia, mobilização e campanha salarial 2020. Também comenta sobre a conjuntura, os horizontes sociais e políticos que estão pela frente.


 
O Bancário: A pandemia da Covid-19 trouxe para a sociedade uma nova realidade nas relações interpessoais e também institucionais. Como você vê esse cenário?

Augusto Vasconcelos: O Brasil já vivia uma forte crise econômica, que se agrava com a pandemia, decretada pela Organização Mundial de Saúde, em março. Os bancários foram a primeira categoria do país a montar um comitê de crise, no sentido de proteger bancários, vigilantes, prestadores de serviços e também clientes. Lutamos para garantir os EPIs, a higienização constante dos locais de trabalho, para manter os empregos, pelo atendimento contingenciado e estamos monitorando todas as agências. Esse comitê tem funcionado bem, no entanto, os bancos podem fazer mais no sentido de proteger a população.
A gente entende que, neste momento quando o Brasil enfrenta grave circunstância, é necessário que os bancos ofertem créditos mais baratos, reduzam juros e tarifas, apontando um caminho para que as micro e pequenas empresas não quebrem, já que são as maiores empregadoras do país. Seguiremos cobrando do setor mais lucrativo da economia uma contribuição maior para superarmos essa crise.


 
O Bancário: Fale um pouco sobre a experiência inédita da eleição virtual que definiu a nova gestão do Sindicato.
Augusto: Foi um sucesso, com grande participação. Tivemos 98% dos votos, o que nos orgulha e também aumenta a nossa responsabilidade. Esperamos corresponder à altura a confiança que a categoria depositou nas urnas. A eleição virtual é muito segura. É possível auditoria de todos os votos. Cada trabalhador votou de maneira muito rápida e nosso processo eleitoral virou referência nacional.
A democracia saiu vencedora e agradeço muito pela confiança em nossa Chapa. Saibam que vamos honrar cada voto. Vamos seguir trilhando o caminho de um sindicato que pensa nas questões específicas de cada agência, mas também atua nos grandes temas nacionais e internacionais.
Somos um sindicato de natureza diferente. Não focamos apenas as questões corporativas. Entendemos que as decisões políticas, econômicas, as pautas do Congresso Nacional, as decisões do Judiciário, tudo isso interfere nos rumos das nossas condições de trabalho e na defesa dos nossos direitos.


 
O Bancário: Como será a atuação do Sindicato a partir de agora?
Augusto: O Sindicato não para. Temos trabalhado todos os dias, inclusive nesse período da pandemia o trabalho dobrou. São negociações em cada banco e com a Fenaban, atuação junto ao Ministério Público, ao Tribunal Superior do Trabalho e acompanhando as pautas do Congresso Nacional.
A categoria pode ter certeza que o Sindicato continuará com capacidade institucional para atuação nesse ambiente do Estado brasileiro e no dia a dia da categoria, abordando desde problema de ar condicionado até grandes temas nacionais, como a alteração de leis trabalhistas.
Esperem um sindicato cada vez mais moderno, dinâmico e interativo. Foi com esse lema que assumimos em 2014 e, de lá para cá, temos conseguido alcançar esse objetivo e vamos manter essa pegada.


 
O Bancário: Como será a campanha salarial dos bancários? Quais os maiores desafios no que se refere à mobilização e organização dos trabalhadores?
Augusto: O Comando Nacional dos Bancários está debatendo a campanha salarial, mas há ainda muita incerteza. Estamos cobrando dos bancos que apliquem a ultratividade da nossa Convenção Coletiva de Trabalho no sentido de resguardar os direitos.
As negociações nesse período não são simples, sobretudo pelo fato de que teremos dificuldade em usar instrumentos de pressão no período em que estão proibidas aglomerações e, ao mesmo tempo, boa parte da categoria está em home Office.
Devemos ter uma Conferência Nacional dos Bancários virtual, para elaborar nossa pauta. A categoria permanecerá informada sobre as negociações. Pedimos a todos que baixem o aplicativo bancariosbahia no celular e também acompanhem pelo nosso site. 
Já fizemos também três assembleias virtuais: na BV Financeira, no Itaú e no Santander. Muito exitosas, além de aprovarem os acordos coletivos específicos, possibilitaram que colegas do interior, de regiões mais distantes, pudessem participar diretamente das decisões do Sindicato.


 
O Bancário: Você está se licenciando para ser candidato a vereador em Salvador. Qual a sua expectativa?
AV: Colegas bancários e bancárias, bem como de outras categorias, como trabalhadores da construção civil, frentistas, mototaxistas, motoboys, telemarketing, profissionais de saúde, professores, desportistas, artistas, movimento comunitário, advogados e meus alunos têm insistido muito nessa tarefa da candidatura a vereador. Então eu me vi na condição de quem não pode recusar e topei o desafio.
Nunca fui candidato de mim mesmo. Sempre fiz parte de um projeto coletivo. Nossa pré-candidatura é parte da representação da classe trabalhadora, para que possamos ter mais parlamentares comprometidos com a nossa causa. Eu faço militância social há 22 anos, desde quando eu tinha 16 anos de idade, quando conheci o movimento estudantil. De lá para cá, nunca saí do movimento social, então essa é uma pré-candidatura natural
Não será fácil, enfrentaremos setores muito poderosos, candidatos ligados a empresa de ônibus, de lixo, grandes grupos econômicos que estão de olho na eleição, mas certamente a força do coletivo vai superar essa dificuldade. Estou confiante, temos trabalhado muito, não só na categoria, mas nas comunidades. Tenho certeza que a vitória será fruto do esforço de todos.
Tivemos uma candidatura para deputado estadual, em 2018, quando obtivemos 20.763 votos, sendo 11.056 dentro da cidade de Salvador. Chegamos à suplência na Assembleia Legislativa. Agora, mantendo esse trabalho, vamos chegar à Câmara Municipal. Por isso pedimos o apoio e a participação de cada colega para se transformar num multiplicador desse projeto, que é de todos.
Por força da legislação eleitoral eu terei que me licenciar da presidência do Sindicato, a partir de 3 de junho, mas não irei me afastar da categoria. É apenas uma licença temporária, até o final das eleições municipais. Temos uma diretoria qualificada e comprometida, que une experiência e renovação. Os colegas podem contar sempre comigo, estamos ainda mais fortes e unidos para a resolução de problemas específicos e das questões mais amplas da categoria.