Entrevista

Mandato dos trabalhadores

Postado dia: 03/12/2020 - 08:10

 Por Rogaciano Medeiros


O Bancário - Como você pretende fortalecer a luta dos bancários na Câmara Municipal de Salvador?
Augusto Vasconcelos - Levaremos as pautas dos bancários e dos demais segmentos para a Câmara. Faremos um mandato que será a voz de todas as categorias. Vamos criar uma trincheira de resistência em defesa do emprego e contra a ganância dos bancos. Denunciaremos o desmonte dos bancos públicos e iremos pautar a proteção da sociedade em face da concentração da riqueza nas mãos do sistema financeiro. Outros temas como o cumprimento da lei dos 15 minutos, normas de segurança bancária e regras de acessibilidade nas agências também iremos atuar intensamente.
 
O Bancário - Você acha que pode ser mais útil à categoria na Câmara do que na presidência do Sindicato?
Augusto Vasconcelos - Não há contradição. Continuarei atuando no movimento sindical. Nosso mandato é uma tarefa que a classe trabalhadora me conferiu. Tenho clareza da dimensão do desafio. Nossa voz será amplificada tendo um vereador ligado às nossas causas. Trataremos das questões específicas dos locais de trabalho e dos grandes temas nacionais, mantendo nosso compromisso com a defesa dos direitos dos trabalhadores.
 
O Bancário -  Quais as grandes questões que afligem hoje os bancários?
Augusto Vasconcelos - Os desligamentos em massa promovidos pelos bancos, em plena pandemia, nos atinge em cheio. Não faz sentido que as empresas mais lucrativas da economia promovam uma redução tão brutal do quadro de funcionários. Tal situação foi impulsionada pela Reforma Trabalhista, que viabilizou juridicamente essa atitude dos bancos.
Ao mesmo tempo, uma grande preocupação nossa é com o alto índice de adoecimento na categoria, resultado de metas cada vez mais abusivas, sobrecarga de trabalho e a ameaça constante de demissão ou descomissionamento.
 
Enfrentar o desmonte dos bancos públicos é outra tarefa imediata. O BB, a Caixa, o BNB, o BASA e o BNDES sofrem diversos ataques. O enfraquecimento dessas instituições não interessa ao país.
 
O Bancário -   O que os trabalhadores, inclusive os bancários, podem esperar do governo Bolsonaro?
Augusto Vasconcelos - Com dois anos de mandato já ficou claro pra todo mundo quais as intenções do atual governo. Nesse período, basta dizer que a imensa maioria das categorias não conseguiram manter os direitos previstos em normas coletivas de trabalho, cresceu o desemprego, interromperam os avanços no salário mínimo, fizeram uma Reforma da Previdência que pode inviabilizar o acesso à aposentadoria para milhares de pessoas, atacam as instituições públicas e negam a ciência.


O Bolsonaro chegou a apresentar em plena pandemia uma nova Reforma Trabalhista, que retiraria ainda mais direitos do povo. Completa insensatez.


Precisamos formar uma nova maioria política no país e isso passa por eleger mais trabalhadores para os espaços de decisão.
 
O Bancário - Como o movimento sindical pode contribuir para o Brasil sair do regime de exceção em que se encontra e retomar a democracia social?

Augusto Vasconcelos - O movimento sindical tem se esforçado para conversar com os trabalhadores e trabalhadoras visando apresentar alternativas. Várias iniciativas ocorreram no país ao longo desses dois anos. Mas considero que ainda são insuficientes.


Apresentamos ideias para geração de empregos, sugerimos a Reforma Tributária Solidária, trouxemos a pauta da retomada da industrialização. No entanto, a mídia nos ignora solenemente. Precisamos criar nossos próprios canais de diálogo direto com a população para mostrar que os sindicatos têm ideias para tirar o país da crise.


O caminho, sem dúvida, passa por elevar a consciência de classe. No dia em que nós trabalhadores percebermos que somos a maioria do povo, a gente entra em campo e vira o jogo. Eu acredito nisso!