Artigo

Vão virar bibliotecas

Postado dia: 05/07/2022 - 00:00

O presidente da República Jair Bolsonaro em sua live do dia 30/06/2022, comemorou o aumento do número lojas de Armas, segundo ele, antes 1650 agora 2.850 e clubes de tiros que eram 1.100 e hoje são 2.100. Argumenta ainda que se o “cara, o de nove dedos” se referindo a Lula, ganhar vai recolher as armas e os clubes de tiros vão virar bibliotecas. 


O aumento do armamento é motivo de preocupação para todos que defendem a vida e a democracia.  Segundo dados do Anuário de Segurança Pública 2022, existem 4.429.396 armas de fogo em estoques particulares, sendo que destas 1.542.168 estão com os registros expirados, portando irregulares. O Número de Certificados de Registros (CR) ativos de Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CAC), saiu de 117.467 em 2018, para 673.818 até 01/06/2022. Só nesse ano até final de maio foram 158.565 novos registros.


Em meio ao sofrimento do povo brasileiro que enfrenta uma política destrutiva, que vem destruindo os direitos dos trabalhadores, a democracia, a nossa soberania, o nosso meio ambiente, vem aumentando as desigualdades e a exclusão social, Bolsonaro comemora o aumento de lojas de armas e clube de tiros, comemora o armamento que no geral serve para armar as milícias e os grupos de criminosos.


Segundo pesquisa da rede PENSSAN, o número de pesos passando fome aumentou desde 2020 até hoje em 14 milhões. Já são mais de 33 milhões de famintos. É preciso ressaltar que o Brasil saiu do mapa da fome em 2014 segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e agora volta novamente.


O Brasil é um país extremamente rico, com extraordinário potencial, infelizmente com profundas desigualdades e milhões passando fome. O País precisa de paz. Armar milícias e grupos criminosos não contribui para a resolução dos graves problemas, o povo necessita de alimentos, de uma vida digna e não de armas como Lula tem reiterado várias vezes, é preciso colocar o pobre no orçamento e o rico no imposto de renda. 


A sociedade necessita de emprego, condições dignas de sobrevivência, erradicar a fome e de uma política que possa fazer com que presídios com amontoados de pobres, negros e jovens e estruturas que alimentam a criminalidade, possam de fato virar bibliotecas, escolas e universidades.  


*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ