Regulação da IA no centro do debate
A ideia é que tecnologia sirva para melhorar a qualidade de vida da população, reduzir jornadas e ampliar oportunidades, e não para substituir trabalhadores sem garantias
Por Julia Portela
A inteligência artificial, os aplicativos e a automação estão transformando o mundo do trabalho em uma velocidade absurda. Se por um lado a tecnologia aumenta a produtividade e cria novas possibilidades, por outro levanta uma questão central: a precarização das relações trabalhistas.
O tema ganha destaque a partir desta terça-feira (09/06), com a expectativa da apresentação, na Câmara dos Deputados, do relatório do projeto de lei que regulamenta os sistemas de inteligência artificial no Brasil. A discussão ocorre em um momento decisivo, diante do avanço acelerado das tecnologias e da necessidade de estabelecer regras que garantam transparência, responsabilidade e proteção aos trabalhadores, diante das mudanças provocadas pela transformação digital.
A atualidade reforça uma constatação: o avanço tecnológico não garante, por si só, melhores condições de vida para os cidadãos. Enquanto empresas e, principalmente, os bancos ampliam lucros com novas ferramentas digitais, milhões de pessoas convivem com jornadas exaustivas, insegurança no emprego, intensificação das cobranças e crescimento de formas precárias de contratação. O desafio é impedir que a inovação seja utilizada para aprofundar desigualdades e retirar ainda mais direitos.
O diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo, levou o debate para o centro da Conferência Internacional do Trabalho, promovida pela ONU, entre os dias 1 e 12 de junho, na Suíça. A discussão reforçou a urgência da regulamentação da inteligência artificial e das plataformas digitais em todo o mundo.
A ideia é que tecnologia sirva para melhorar a qualidade de vida da população, reduzir jornadas e ampliar oportunidades, e não para substituir trabalhadores sem garantias ou concentrar ainda mais renda nas mãos de poucos grupos econômicos.
A transição tecnológica também exige investimentos em qualificação profissional, proteção social e fortalecimento da negociação coletiva. Sem a participação dos trabalhadores nas decisões sobre o futuro do trabalho, existe o risco de que os benefícios do mundo digital sejam apropriados apenas pelo capital.


