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O futuro é agora

Pronzato aborda a atuação imperialista dos Estados Unidos no cenário internacional e interno, denunciando intervenções militares, violações de direitos humanos e a instrumentalização da democracia em favor do capital. O autor critica a repressão a imigrantes, o apoio a guerras e genocídios e a submissão da imprensa aos interesses das elites políticas e financeiras.

Paira um asfixiante ar de impotência extrema no planeta. Um país sem nome, ou uma reunião de estados confederados da América do Norte, se arroga o direito de intervir no globo terrestre, onde lhe dê na tecla, em nome de uma democracia fictícia de apenas dois partidos em contínuo revezamento, uma liberdade inexistente ou apenas existente para a circulação do capital e não de pessoas, tudo amparado por uma imprensa hegemônica e submissa às máfias civis e militares governantes.


Atuando em duas frentes, a exterior e a interior, este país, possuidor do recorde mundial de bombardeios contra objetivos civis, com mortes contadas aos milhares, como as de Nagasaki e Hiroshima em 1945, não cessa em seu afã de destruição indiscriminada de governos democráticos que não lhe são úteis à sua classe financeira bilionária, da qual é produto seu atual presidente. 


No plano internacional, assistimos recentemente à drástica solução da questão venezuelana, sequestrando o seu presidente, invocando inexistentes relações com o narcotráfico para finalmente usurpar o petróleo, autêntico objetivo da classe dirigente norte-americana. Agressões ao Irã estão em curso, o apoio ao Estado de Israel no genocídio do povo palestino e as relações com a Ucrânia para acossar a Rússia continuam de pé. E ameaças, extorsões e boicotes são o cardápio "pacífico" da permanente prática bélica desta ditadura "democrática". 


No plano interno, a beligerante ação criminosa da ICE (Agência de Imigração e Alfândega), com mais de 3.000 agentes federais fortemente armados, já cobrou mortes do povo latino - e do estadunidense também - obrigado por circunstâncias econômicas a residir nas entranhas do monstro (como o denominou o revolucionário cubano José Martí no século XIX).


Muitas empresas no estado de Minnesota fecharam as portas e milhares foram às ruas em um dos maiores protestos contra Trump. Organizado por líderes religiosos, sindicatos e também, em grande parte, de forma espontânea mesmo sob temperaturas congelantes, de 23ºC negativos, as massas colocaram o peito à maior operação de migração da História.


Protestos em nível mundial contra Donald Trump, impulsionados pela ação exemplar do próprio povo norte-americano confrontando nas ruas o ICE, começa a tomar corpo. Países ameaçados pela destruição social devido à rapina capitalista do país do Norte, devem vencer o medo e  oferecer resistências de todo tipo, deixando a impotência de lado. Não é possível ao ser humano conviver no planeta com estas atitudes aberrantes e desesperadas de um império em decomposição. Assim, é necessário estar alerta, não desistir frente a este descalabro humanitário e pensarmos em modos de produção pós-capitalistas. O futuro é agora.


* Carlos Pronzato é cineasta documentarista, diretor teatral, poeta, sócio do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia - IGHB