No Congresso, negros ainda se sentem invisíveis

Os participantes responderam a um questionário sobre os desafios enfrentados, como racismo institucional, percepção de pouca influência nos mandatos, vulnerabilidade emocional, violências de gênero no ambiente e pautas restritas à negritude.

Por Itana Oliveira

Mesmo em espaços de poder, a população negra ainda sente o peso da exclusão. Pesquisa realizada pela organização Legisla Brasil em parceria com o Movimento Mulheres Negras Decidem, analisou o relato de assessores parlamentares negros e mapeou as dificuldades do grupo em acessar cargos decisivos no Congresso.

 

Os participantes responderam a um questionário sobre os desafios enfrentados, como racismo institucional, percepção de pouca influência nos mandatos, vulnerabilidade emocional, violências de gênero no ambiente e pautas restritas à negritude. Além de relatarem a sensação de invisibilidade, outro ponto frequentemente mencionado foi a instabilidade profissional, pelo medo de serem demitidos a qualquer momento, independentemente do nível de competência, o que leva ao adoecimento mental e ansiedade constante, segundo relatos. 

 

Dentre os 15 mil assessores negros nos cargos parlamentares, apenas 60 foram entrevistados e, segundo a pesquisa, houve dificuldade para manter contatos com eles, o que reafirma a anonimato do grupo, mesmo em espaços de poder. 

 

O levantamento ainda diz que, nos parâmetros da profissão, 41,4% das mulheres entrevistadas estão inseridas na classe D (renda de dois a quatro salários mínimos), e 44,8% na classe C (de quatro a dez salários mínimos). Nenhuma delas está na classe A (mais de 20 salários mínimos) e poucas na classe B (de 10 a 20 salários mínimos).

 

 Em contraste, os homens da amostra estão presentes em todas as faixas de renda. Somente 4,4% das deputadas e 3,7% das senadoras são mulheres negras.