Bradesco reafirma irresponsabilidade social 

Marcelo Noronha, presidente do banco reafirma a irresponsabilidade social do banco ao defender o fechamento de agências físicas como parte do processo de digitalização, apresentado como sinônimo de “eficiência operacional”.

Por Itana Oliveira

Agências superlotadas, filas constantes e funcionários visivelmente desgastados tornaram-se cena recorrente no sistema bancário brasileiro. Apesar deste cenário, os bancos seguem negando a gravidade da situação. Exemplo recente é a entrevista do presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, concedida ao InfoMoney, no qual reafirma a irresponsabilidade social do banco ao defender o fechamento de agências físicas como parte do processo de digitalização, apresentado como sinônimo de “eficiência operacional”.

 

Na prática, a estratégia tem gerado sofrimento para clientes e trabalhadores. A redução acelerada da rede física empurra usuários para poucas unidades remanescentes, que passam a atender demandas de várias localidades ao mesmo tempo, com filas intermináveis e longo tempo de espera para atendimento. Em cidades do interior, é comum clientes precisarem se deslocar para municípios vizinhos em busca de atendimento presencial, sobrecarregando ainda mais os bancários, ampliando filas e tempo de espera.

 

O Bradesco, que em apenas nove meses do ano passado já havia lucrado R$ 18,1 bilhões, seguirá intensificando o modelo que o mercado financeiro chama de “eficiência operacional”, com fechamento de agências, transformação de unidades em pontos de atendimento digital e muitas demissões. 

 

O impacto sobre os empregos é expressivo. Nos últimos cinco anos, o Bradesco demitiu mais de 25 mil bancários e fechou mais de 2 mil agências em todo o país. Desta forma, o serviço do banco agrada apenas a própria instituição, pois tanto clientes quanto funcionários seguem usufruindo do sistema precário oferecido pelas empresas.