Marcas na violência, no corpo e na alma
Entre as vítimas de violência, 69% afirmaram ter traumas psicológicos, medo constante, insegurança, dificuldades de estabelecer novas relações e desconfiança em relação aos homens.
Por Ana Beatriz Leal
A violência doméstica, um problema estrutural do Brasil, ancorado pelo machismo enraizado na sociedade patriarcal, para além das marcas físicas, deixa feridas emocionais. A maioria das vítimas carrega traumas e problemas psicológicos, como depressão.
A pesquisa “Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Públicos e Privados”, realizada pela FPA (Fundação Perseu Abramo), em parceria com o Sesc (Serviço Social do Comércio), entre 2021 e 2023, mostra um cenário de subnotificação, naturalização de abusos e falhas na rede de proteção.
De forma espontânea, 23% das mulheres afirmaram já ter sofrido algum tipo de violência praticada por homens. Mas, quando as entrevistadas foram perguntadas sobre 31 situações concretas de violência, o índice subiu para 50%, o que reforça que as práticas podem estar naturalizadas e poucos reconhecidas.
Além disto, 43% das mulheres relataram ter sofrido violência psicológica e 37%, violência moral. A violência física foi mencionada espontaneamente por 11% das mulheres, quando estimuladas, o percentual vai para 22%. Já a violência sexual atingiu 23% das entrevistadas.
Entre as vítimas de violência, 69% afirmaram ter traumas psicológicos, medo constante, insegurança, dificuldades de estabelecer novas relações e desconfiança em relação aos homens. Sem contar com os registros de depressão, ansiedade, síndrome do pânico e utilização de medicamentos controlados.
O ambiente doméstico ainda é o principal espaço onde se cometem os abusos. De acordo com pesquisa da Perseu Abramo, 71% das mulheres que sofreram violência não fizeram denúncia oficial, o que aponta falhas na proteção institucional. Muito embora o Brasil tenha avançado na legislação, como a Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio e o aumento dos serviços especializados.
