Desigualdade racial atravessa as salas de aula
Enquanto o índice de defasagem caiu no ensino fundamental, de 15,6% para 11,3%, e no ensino médio de 27,9% para 17,6%
Por Julia Portela
A desigualdade racial no Brasil começa cedo e se revela com força nas salas de aula. Mesmo com a redução geral da distorção idade-série registrada pelo Censo Escolar 2025, a pesquisa deixa claro que o peso do racismo estrutural continua recaindo sobre os estudantes negros, que seguem sendo os mais atingidos pelo atraso escolar.
Enquanto o índice de defasagem caiu no ensino fundamental, de 15,6% para 11,3%, e no ensino médio de 27,9% para 17,6%, o recorte racial expõe uma realidade incômoda: pretos e pardos ainda concentram os maiores índices de atraso em relação à idade e série. O dado revela que o problema não está no desempenho individual dos estudantes, mas nas barreiras históricas impostas à população negra.
Séculos após a escravidão, o país ainda convive com os efeitos da exclusão que nunca foi reparada. A falta de políticas estruturais no pós-abolição condenou gerações à desigualdade educacional, criando um ciclo que segue limitando oportunidades e aprofundando injustiças sociais.
Romper esta lógica exige mais do que reconhecer os números. Políticas públicas de permanência na escola, como o programa Pé-de-Meia, mesmo com os ataques da extrema-direita ao beneficio, entram na disputa contra um modelo de sociedade que naturaliza privilégios e desigualdades.
Garantir acesso e permanência na educação é também enfrentar o racismo estrutural e afirmar que educação é direito, não privilégio.
