Campo rico, trabalhador sem direitos

Dados e análises apontam que, mesmo com o avanço da mecanização, trabalhadores do campo continuam enfrentando barreiras históricas, como acesso limitado à educação, à informação e à tecnologia.

Por Julia Portela

A concentração de riqueza e poder no campo brasileiro segue aprofundando desigualdades e invisibilizando quem de fato sustenta a produção agrícola. No Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores do Campo, celebrado nesta sexta-feira (17/04), a denúncia sobre a precarização das condições de trabalho ganha ainda mais força diante de um modelo que privilegia o agronegócio em detrimento do trabalhador rural.

 

Dados e análises apontam que, mesmo com o avanço da mecanização, trabalhadores do campo continuam enfrentando barreiras históricas, como acesso limitado à educação, à informação e à tecnologia. Este cenário reforça a exclusão social e dificulta a garantia de direitos básicos, mantendo milhões à margem do desenvolvimento propagado enganosamente sob a farsa de que “o agro é pop”.

 

A realidade no campo é marcada por contrastes extremos: de um lado, grandes propriedades altamente lucrativas; de outro, trabalhadores submetidos a condições degradantes, sem acesso a direitos fundamentais. A lógica ultraliberal intensifica esse abismo ao reduzir a presença do Estado e flexibilizar fiscalizações, favorecendo a exploração.

 

Diante deste cenário, torna-se urgente desmistificar a ideia de que o campo é homogêneo e alinhado aos interesses do agronegócio. Pequenos agricultores e trabalhadores rurais enfrentam diariamente a exploração e o abandono. A defesa de políticas públicas, reforma agrária e fortalecimento da fiscalização é essencial para garantir dignidade e justiça social no campo.