Bancos aprofundam exclusão e comprometem acessibilidade

O investimento na digitalização dos serviços tem um custo, pago pela população. No Brasil, muita gente enfrenta dificuldades para acessar um atendimento básico, humano e acessível. 

Por Ana Beatriz Leal

A política adotada pelos bancos, de acelerar o fechamento de agências bancárias para reduzir despesas e alavancar ainda mais os lucros, tem produzido efeitos devastadores. O investimento na digitalização dos serviços tem um custo, pago pela população. No Brasil, muita gente enfrenta dificuldades para acessar um atendimento básico, humano e acessível. 
 

Entre os mais afetados estão pessoas com deficiência, idosos e cidadãos em situação de vulnerabilidade social, que dependem do atendimento presencial para realizar operações com segurança e autonomia.
 

De acordo com o Banco Central e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o número de agências caiu 37% nos últimos 10 anos. De 2015 até hoje, 638 municípios perderam todas as unidades bancárias, deixando cerca de 6,9 milhões de pessoas sem atendimento presencial. 
 

Para o Sindicato dos Bancários da Bahia, a redução da rede física representa grave retrocesso social e uma violação ao direito à acessibilidade e à inclusão. Apesar de os bancos sustentarem que os aplicativos e canais digitais ampliam a comodidade e a eficiência dos serviços, a realidade demonstra que a digitalização não alcança todos de forma igualitária. 
 

Sem contar que muitos aplicativos de bancos ainda apresentam falhas de acessibilidade para pessoas com deficiência visual, auditiva, intelectual ou motora. Recursos básicos, como leitores de tela compatíveis, navegação simplificada, comandos acessíveis e atendimento em Libras, muitas vezes são insuficientes ou inexistentes. A situação, inclusive, contraria princípios previstos na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015).

Além disto, grande parcela da população idosa enfrenta dificuldades para utilizar aplicativos bancários e caixas eletrônicos digitais. O problema se agrava diante do crescimento dos golpes virtuais e fraudes financeiras.