Reunião com a Caixa termina sem respostas
Em diversas unidades do país, empregados denunciam a exigência de atendimento simultâneo nos canais presenciais e digitais, cenário que provoca desgaste físico e emocional, além da perda da qualidade de vida.
Por Rose Lima
A cobrança excessiva, as metas abusivas e o adoecimento dos empregados da Caixa voltaram ao centro das discussões durante reunião entre representantes dos trabalhadores e o banco, nesta terça-feira. O encontro, no entanto, terminou sem respostas concretas para os principais problemas enfrentados diariamente pelos bancários nas agências e departamentos da empresa.
Os relatos apresentados pelas entidades sindicais expõem uma realidade marcada por sobrecarga de trabalho, pressão constante por resultados, insegurança e acúmulo de funções. Em diversas unidades do país, empregados denunciam a exigência de atendimento simultâneo nos canais presenciais e digitais, cenário que provoca desgaste físico e emocional, além da perda da qualidade de vida.
Outro ponto de indignação entre os trabalhadores foi a repercussão de um vídeo divulgado pela Caixa Vida e Previdência nas redes sociais. A peça publicitária mostrava uma realidade distante da vivida pelos empregados nas agências. A reação negativa foi tão intensa que o conteúdo acabou retirado do ar, causando constrangimento aos representantes do banco durante a reunião com os sindicatos. Para as entidades, o episódio reforça que campanhas de marketing não conseguem esconder a rotina de pressão e adoecimento enfrentada pelos trabalhadores.
Além das condições de trabalho, demandas históricas seguem sem solução. Entre elas, a falta de garantia de acesso ao Saúde Caixa para empregados contratados após 2018 quando se aposentarem. Também foram feitas críticas ao funcionamento do Super Caixa, marcado pela falta de transparência, mudanças constantes de regras e penalizações para quem atua diretamente no atendimento ao público.
Representante dos empregados na CEE (Comissão Executiva dos Empregados), o diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia, Érico de Jesus, afirmou que a modernização da empresa não pode ocorrer às custas da saúde dos trabalhadores.
“Os empregados estão adoecendo diante de uma rotina cada vez mais pesada, sem que a Caixa apresente soluções concretas para os problemas denunciados há anos. Modernizar o banco não pode significar precarizar o trabalho. É preciso ouvir quem está na linha de frente e garantir condições dignas para os trabalhadores”.


