Fenaban evita apresentar número
Estudos apresentados na mesa mostram que o vale-alimentação acumula defasagem de cerca de 13% desde 2019, enquanto o vale-refeição perdeu 3,7% do valor real entre 2023 e 2025.
Por Rose Lima
A expectativa da categoria por uma proposta concreta para a pauta de reivindicações da campanha salarial ainda terá de esperar, depois de um mês de debates. Na negociação desta quinta-feira (30/07), o Comando Nacional dos Bancários apresentou à Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) dados minuciosos sobre as cláusulas econômicas, com foco em aumento real dos salários, valorização da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), reajuste dos vales alimentação e refeição e melhoria do piso.
Estudos apresentados na mesa mostram que o vale-alimentação acumula defasagem de cerca de 13% desde 2019, enquanto o vale-refeição perdeu 3,7% do valor real entre 2023 e 2025.
Apesar de reconhecer as demandas, os representantes das empresas não apresentaram contraproposta. Ficaram de analisar e responder somente na rodada de terça-feira (04/08). Independentemente do que vier, os bancos podem a atender a minuta. Os números mostram. Em 2025, lucraram R$ 171 bilhões – sendo R$ 124 bilhões concentrados nos cinco maiores do país. Não para por aí. O patrimônio líquido do setor alcançou R$ 1,2 trilhão.
A parte mais delicada da mesa aconteceu durante a retomada das discussões sobre saúde e condições de trabalho. A Fenaban continua a minimizar a relação entre o ambiente de trabalho e o crescimento dos afastamentos por doenças mentais, embora os números mostrem uma realidade preocupante. Chega ao absurdo de questionar até a credibilidade dos atestados médicos e dos estudos, um desrespeito a profissionais de outras categorias.
O mais inadmissível foi quando os bancos propuseram reduzir de 2 anos para apenas 45 dias o período de complementação salarial garantido pela CCT (Convenção Coletiva de Trabalho). A proposta foi duramente criticada pelo Comando Nacional dos Bancários que reafirmou não aceitar a retirada de direitos.
Presente na rodada, o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Elder Perez reforça que a categoria terá de ampliar a mobilização para garantir avanços. “Foi uma negociação importante. Apresentamos uma pauta econômica totalmente compatível à realidade dos bancos. Mas, ficou evidente que os bancários precisam permanecer mobilizados. O recuo da Fenaban mostra que a pressão faz a diferença. Mas, temos de intensificar a unidade”.


