Endividamento enfrenta pressão dos juros 

Enquanto a população se embola nas dívidas, os bancos e rentistas lucram. O cartão de crédito, por exemplo, é o maior vilão, chegando a mais de 85% dos endividados.

Por Ana Beatriz Leal

Uma das provas de que a queda de apenas 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 14%, é irrisória, diante da necessidade do Brasil e da população, é o alto endividamento das famílias brasileiras. O índice bateu recorde em julho e chegou a 82%.
 

Ao mesmo passo em que a inadimplência recuou para 29,8% em julho, após três meses do programa Desenrola 2.0, subiu a parcela de brasileiros com mais da metade da renda comprometida com pagamentos. Muito em função dos altos juros praticados pelo sistema financeiro.
 

As famílias têm, em média, 29,5% do orçamento atrelado a débitos. O tempo médio de comprometimento com dívida ficou em 7,2 meses. Há um ano era 7,1 meses.
 

Enquanto a população se embola nas dívidas, os bancos e rentistas lucram. O cartão de crédito, por exemplo, é o maior vilão, chegando a mais de 85% dos endividados. A lista ainda tem carnês (16%), crédito pessoal (13%), financiamentos de casa (9,6%) e carro (9%), crédito consignado (7,1%), cheque especial (3,4%), outras dívidas (2,5%) e cheque pré-datado (0,2%). 
 

Os dados integram a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), realizada mensalmente pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).