Maior participação feminina nas candidaturas de 2026

Apesar do crescimento das candidaturas, a ocupação feminina no Parlamento não foi convertida na mesma proporção. Em 1998, somente 5,6% das cadeiras foram ocupadas por mulheres. Em 2022, o número de deputadas federais chegou a 91, correspondendo a apenas 17,7% do Congresso.

Por Juliana Ambrozi

As eleições de 2026 têm crescido na diversidade. Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a participação feminina na disputa deste ano cresceu em 34,9%, atingindo o maior percentual registrado desde o início da série histórica, em 1998. O avanço, porém, ainda não corresponde à ocupação feminina no Congresso.

 

O aumento das candidaturas femininas ocorreu lentamente nos últimos 30 anos. Em 1998, as mulheres correspondiam a 12,5%. Até a última eleição, em 2022, a participação chegou a 33,8%, aumento de 21,3 pontos percentuais.

 

O avanço, ainda tímido, só atingiu a marca atual devido a políticas como a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), promulgada em 2009, que determinava a ocupação de mulheres em pelo menos 30% das candidaturas de cada partido. Na eleição seguinte, em 2010, a participação feminina avançou de 14,5%, registrados em 2006, para 22,4%.

 

Além das mudanças na lei, a ampliação de políticas públicas voltadas à autonomia e melhoria da qualidade de vida das mulheres, especialmente durante o governo Lula, também incentivou a participação na vida pública e política do Brasil.

 

Apesar do crescimento das candidaturas, a ocupação feminina no Parlamento não foi convertida na mesma proporção. Em 1998, somente 5,6% das cadeiras foram ocupadas por mulheres. Em 2022, o número de deputadas federais chegou a 91, correspondendo a apenas 17,7% do Congresso.

 

Há ainda, outros obstáculos a serem superados. A distribuição desigual do financiamento eleitoral desfavorece o impulsionamento das campanhas femininas. Além disto, as candidatas ainda precisam lidar com a violência política de gênero nos palanques e redes sociais, onde são alvos de assédio, ameaças e intimidação.

 

Os números evidenciam o contraste entre a escassez de cargos de poder político ocupados por mulheres, que hoje representam 52,84% do eleitorado brasileiro. Para reduzir a desigualdade e diminuir a distância, é necessário não apenas proteger e fortalecer o direito à participação feminina na vida política, mas também eleger candidatas que farão a diferença na luta pelo direito das mulheres de ocupar, cada vez mais, cargos públicos.